Há três mil anos, uma religião dominante tem estigmatizado como subumano mais de um terço da população indiana. Esse grupo, conhecido como dalit, os intocáveis, de acordo com estatísticas, estão entre 200 e 300 milhões – o correspondente a toda concentração populacional dos EUA. Essas pessoas são expostas à escravidão, ao tráfico para exploração sexual, à discriminação e extrema pobreza. O livro Antes que seja tarde,escrito pelo pastor californiano Matthew Cork, descreve a triste realidade dos dalits, à qual ele teve acesso pela primeira vez em 2007, em uma viagem a Hyderabad, na Índia. Lá, ele foi impactado ao ver crianças esmolando no aeroporto; idosas varrendo sarjetas e famílias morando dentro de tubulações de cimento descartadas. Foi em Hyderabad que Cork conheceu as amarras sistemáticas às quais esse povo tem estado preso por milhares de anos. Conforme ficava face a face com tal sofrimento, o pastor se convencia de que Deus o compelira a ajudar. Sabia que a maior esperança para os dalits reside na educação de seus filhos – algo por muito tempo a eles negado. Foi, então, que Cork se sentiu motivado a unir forças entre a sua igreja (Friends Church) e a Dalit Freedom Network (organização não governamental que luta pelos diretos dos dalits), a fim de construir 200 escolas ao longo de dez anos. Na obra, ele narra toda a trajetória e todos os esforços para livrar esse grupo tanto espiritual como socialmente. Antes que seja tarde é uma narrativa cuja ideia é levantar a bandeira de libertação e restauração de um povo sofrido. “Mesmo os mais renomados autores encontram dificuldade em descrever o grave impacto dessa opressão monstruosa sobre a mente, o coração e a alma das vítimas do sistema de castas”, destaca, no prefácio do livro, o Dr. Joseph D’souza, presidente da Dalit Freedom Network. Embora a obra trate da situação de um povo que habita a milhares de quilômetros dos brasileiros, a exploração sexual, a discriminação e a pobreza extrema são problemas que ocorrem com diversos povos no mundo todo, inclusive no Brasil. Por isso, esse material é uma maneira de levar a Igreja a atender o seu papel diante dessa dolorosa realidade, tendo como exemplo os dalits. “Todos os que se importam com liberdade, justiça, redenção, reconciliação e visão encontrarão, nestas páginas, encorajamento, motivação e direção. A causa do povo dalit inspira libertação por todo o mundo”, ressalta D’ souza. Por meio deste livro, o leitor terá a oportunidade de conhecer, a fundo, o trabalho exemplar de Matthew Cork em parceria com a Dalit Freedom Network. “Ao longo dessa caminhada, quero compartilhar um relato inédito sobre a liderança corajosa, visionária e determinada que o Dr. Joseph D´souza e sua equipe realizaram e realizam até hoje. Deus está erguendo um exército de servos. Está acontecendo. A nação está mudando”, enfatiza Cork. A jornada de Matthew Cork, descrita nessa obra, mudará seu modo de pensar e o conduzirá a um universo repleto de coragem, solidariedade e amor ao próximo. Antes que seja tarde é um convite – e um desafio – a unir esforços para levar liberdade e esperança aos que sofrem em todo o mundo. Por que não começar agora, antes que seja tarde?
Antes Que Seja Tarde - Nenhum de nós está livre enquanto uns são escravizados.
Matthew Cork, Kenneth kemp
Nenhum de nós está livre enquanto uns são escravizados.
Antes que seja tarde não é apenas uma autobiografia, mas sim a história de heróis inconformados com a injustiça que assola seu povo. No livro podemos conhecer Mattew Cork que narra sua viagem á Índia e sua paixão pelos desfavorecidos. Joseph D’ Souza que abriu mão de sua posição superior por amor á uma moça, começando assim a luta pela liberdade dos Dalits. Udit Raj, um jovem inteligente que não aceitou seu destino e mostrou que todos temos o direito de escolha. Tantos nomes citados e testemunhos incríveis, é difícil não se emocionar, e não querer fazer parte dessa história, o movimento de libertação dos dalits. Cada pessoa no livro é crucial, mas Mattew Cork, foi o responsável por nos apresentar uma realidade diferente na qual pudéssemos nos envolver e não só termos o conhecimento. Ele nasceu em um lar cristão, cresceu e se tornou um homem exemplar, mas sentia que algo faltava, almejava sair da zona de conforto. Foi então que um povo esquecido do outro lado do mundo impactou totalmente sua vida. “Em vez de me conformar com as expectativas que me cercavam (muitas delas produto da minha imaginação), eu precisava ser transformado: das práticas previsíveis da religião para tornar-me um autêntico seguidor de Cristo.” Jesus nos ensina que para viver uma vida que agrada a Deus não podemos concentrá-la apenas em nós mesmos. Devemos nos importar com os outros, essa é a verdadeira religião. Na descoberta do propósito de vida de Mattew, somos transportados ás vilas indianas e depois que andamos por aquelas ruas improvisadas e casas mal estruturadas, com inúmeras crianças suplicantes, quer pessoalmente ou por meio da leitura não conseguimos ser indiferentes ao dilema do povo "Intocável". “Dalits são considerados escravos. Espera-se que eles sirvam ás castas superiores. O induísmo ensina-lhes que o drama deles é resultado de algum crime terrível cometido em uma vida passada. A posição que ocupam na sociedade é seu destino. Pensar em fugir disso seria violar a regra do carma, a lei da causa e efeito, e tal infração nesta vida resultaria em um sofrimento ainda maior na próxima. O destino é a casta. São o que são: escravos. Para quem a única esperança está em aceitar esta vida, vivê-la em obediência e, talvez, na próxima, pode sair-se melhor. As castas superiores se beneficiam desse sistema. O trabalho é realizado com baixo ou nenhum custo. Algumas funções necessárias são consideradas formalmente impuras. Por exemplo, em um país no qual praticamente não há sistema de esgoto, é função dos dalits retirar dejetos humanos e animais de bairros inteiros. Papel que desempenham por milhares de anos em uma nação densamente populosa... As atividades contaminam o trabalhador, tornando-o impuro. Intocável. Por centenas de anos, a determinação de separação, isolamento e distância permanecera firme em seu lugar." O sistema de castas já foi abolido pelo governo, porém a sociedade indiana não quer abrir mão das suas tradições, mesmo que para isso milhares de inocentes tenham que sofrer as consequências. Os Dalits não tem acesso á educação, ou mesmo aqueles que conseguem estudar não podem concorrer a cargos melhores. Não tem direito á uma causa na justiça e nem um plano médico. Inúmeras crianças são vítimas de prostituição e tráfico. ELES NÃO SÃO NEM CONSIDERADOS HUMANOS. E não podem sequer reclamar do seu destino. Mas por causa de algumas pessoas corajosas, que arriscam sua vida, a mudança é possível. Há esperança para a futura geração, através da educação e quando eles aprendem que são dignos e amados. Alguns países também demonstraram apoio e se comprometeram ajudar na criação de escolas para as crianças, ao decorrer das páginas podemos ver que muitas delas tiveram suas vidas transformadas, entretanto, ainda é preciso muito mais. A conclusão que o autor chega é a seguinte: há Dalits sofrendo bem perto de nós também, na nossa rua, no bairro vizinho, em cidades próximas. Todos anseiam por liberdade, das drogas, da violência, da pobreza... E Deus deseja libertá-los! Somos apresentados á diversos projetos revolucionários, basta cada um de nós abraçarmos esse movimento em favor dos necessitados e vivermos como Cristo nos ensinou, pois como está escrito no subtítulo do livro: "Nenhum de nós está livre enquanto uns são escravizados." Ultimamente tenho desejado ler livros sobre causas sociais, leituras que provocam a mudança e que nos impele a fazer algo bom pelo mundo, e isso tem acrescentado muito á minha vida, é motivador. “Todavia, quando somos capturados por um propósito, a negação se torna afirmação. A negligência se torna foco. Sim. É um problema. Sim. Farei algo. Não amanhã. Nem no mês ou ano seguinte ou quando eu tiver terminado com todo o resto. Não qualquer dia, mas hoje. Antes que seja tarde!”
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