A trama principal de "Sangue dos Deuses" chamou bastante a atenção, por trazer a mitologia nórdica para o Brasil. Não conheço essa mitologia tão bem quanto conheço a grega, a romana ou a egípcia, mas me parece que Michel transportou maravilhosamente bem os mitos clássicos para sua história. Outro ponto forte do livro é a descrição de cenas de batalhas! Confesso que invejei um pouco a habilidade do autor ao descrever lutas e criar discursos inspiradores pré-combate. Mas o que eu mais gostei mesmo foi o humor e as breves menções à realidade nerd: Katherine descreve um local como “maior por dentro do que por fora” – frase classicamente usada pelos companions em Doctor Who para descrever a TARDIS – e chama o príncipe dos elfos claros de “Dobby”, dizendo que ele é “um elfo livre”, como o elfo-doméstico em Harry Potter. Adoro quando livros fazem menções a livros, séries, filmes e quadrinhos!
Além disso, o estilo de escrita do autor é leve e envolvente, equilibrando momentos de humor com outros mais sérios e até mesmo uns mais tristes – sim, porque Michel não tem muitos problemas em matar personagens! E ele tem muito mais habilidade do que eu em explicar mitos nórdicos de maneira clara e concisa.
Os personagens são bem construídos e bastante “diversos”: temos Aesir, Vanir, elfos claros, elfos escuros, gigantes, anões... É raça que não acaba mais nessa mitologia nórdica! Mas vamos focar nos protagonistas. Apesar deles serem um pouco dicotômicos (ou bons ou maus), todos eles me cativaram logo de cara. Katherine é meio cabeça-quente e não tem muita paciência para politicagem, lembrando muito as personagens “bad ass” que eu gosto tanto, e ela não fez nenhuma burrice motivada pela sede de vingança! O vilão, Loki, mantém suas características mais marcantes da mitologia: ele é manipulador, estrategista e inteligente, o que faz dele quase invencível. Quase. Mas meus personagens favoritos são o príncipe élfico Altamir e sua mãe, a deusa solar Sunna, que é uma rainha clássica: gentil, forte e sábia, enquanto seu filho é um guerreiro hábil, mas ainda bondoso – até um pouco demais. Tá, eu gosto bastante do Erick também, com sua luta por recuperar a liderança dos Beserkers que lhe foi usurpada pela assassina Gandr.
Enfim, a trama é muito bem construída e o único defeito são alguns erros de digitação aqui e ali, mas que não são culpa do autor nem atrapalham de forma alguma a leitura. Então, se você gosta de aventura, ação e mitologia, vá agora garantir sua cópia de "Sangue dos Deuses"!