Quando o mercado já está saturado dos vampiros eu leio esse livro e fico boquiaberto. Não, Construindo Victória não é apenas um livro sobre vampiros, vamos deixar isso bem claro, apesar de eles serem os personagens principais.
Deo é um universitário dos mais comuns, que por ocasião do destino é atacado e morto em uma viela escura de Curitiba, porém ele foi atacado por um vampiro e seu renascimento para a nova vida tem um único propósito, uma frase que lhe foi sussurrada ao ouvido:
“Cuide bem dela!”
Clarisse Alvarenga tem uma narrativa enxuta, eu me aprofundei na obra mesmo nos momentos de pouca ação. Alternando entre o Brasil do século XIX, o atual e a Inglaterra Vitoriana, a riqueza de detalhes nos faz viajar de uma maneira gostosa, tanto de época em época quanto de um personagem para outro. Daí você me pergunta: Viajar de um personagem para outro? Pode isso?
Pode sim, pois são vários os personagens que regem a narrativa e cada um com suas peculiaridades, diferente de outros livros que usam o mesmo recurso, neste as personalidades ficaram distintas. Cada um com uma visão diferente, cada um te levando a enxergar a sua maneira.
A edição pela Chiado Editora não é perfeita, a diagramação sem nenhum atrativo e a capa branca com uma ilustração de época deixa a desejar no quesito “chamativa”. Confesso que se estivesse andando na livraria e a visse passaria para a próxima. Em compensação é de material leve e o tamanho da fonte é agradável aos olhos sem abusar ou parecer infantil.
Erro de português? O que é isso? Se teve algum eu não vi, ótima revisão. São 287 páginas que te farão subir e descer uma montanha russa de amor e ódio pelos personagens, que vão te confundir e depois te fazer dar aquele tapa na testa “Nossa como não percebi!”.
Construindo Victória é mais que um livro de vampiros, é mais que um livro de época com vampiros. É um livro instigante e profundo, que por vezes te faz querer chorar e outras tantas arrancar os cabelos de ansiedade.