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    A mão do autor e a mente do editor

    Roger Chartier

    Unesp
    2014
    354 páginas
    11h 48m
    ISBN-13: 9788539305711
    Português Brasileiro
    4.4
    17 avaliações
    Leram36Lendo12Querem141Relendo0Abandonos1Resenhas3
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    Historiografia, crítica tex­tual e estudos bibliográficos articulam-se nos 12 ensaios que compõem esta obra para produzir uma arqueo­logia do processo editorial e mostrar que “a mão do autor” e “a mente do editor” sempre estiveram unidas. Roger Chartier analisa o processo de continuidade e descontinuidade da palavra escrita, de Gutenberg à invenção do conceito moderno de literatura, oferecendo significativa contribuição para a atual reflexão sobre a história do livro. Um dos objetivos básicos do volume, ele escreve, é alcançar melhor compreensão de elementos concorrentes na história, como as figuras e fórmulas que governam os textos ficcionais: “Obras de ficção – ou pelo menos algumas delas – e a memória coletiva ou individual davam ao passado uma presença que com frequência era mais forte do que aquela que os livros de história podiam fornecer”. Daí a ênfase do livro em obras maiores de literatura, que ao longo dos séculos funcionaram de modo a talhar maneiras de pensar e sentir. O autor busca recolocar textos como Dom Quixote e peças de Shakespeare dentro de seus próprios contextos, diferentes do atual, recuperando o modo como foram originalmente criados, encenados, publicados e apropriados. Tal preocupação justifica-se porque, de acordo com Chartier, as obras sempre sofreram impactos do trabalho de uma série de pessoas envolvidas com o processo de edição e impressão. Dos escribas do início da Idade Mo­derna, que transcreviam os originais do manuscrito do autor, aos censores que autorizavam a publicação, editores e revisores que preparavam e corri­giam o texto para a impressão. Em diálogo com autores como Braudel, Febvre, Ricoeur e Freud, Chartier anali­sa esses processos, buscando os rastros que eles deixaram depositados sobre as obras no decorrer da História. E, ainda, o modo como contribuíram para a constituição do cânone literário e a noção de autoria nos séculos passados.

    Resenhas (3)Ver mais
    Mariana Dal Chico picture
    Mariana Dal Chico07/03/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    2.5 estrelas A mão do autor e a mente do editor” de Roger Chartier foi publicado pela @unespeditora com tradução de George Schlesinger. Aqui o autor vai voltar no tempo, para logo após a invenção da prensa móvel de Gutenberg para esmiuçar as etapas do texto desde a concepção do autor, até sua versão finalizada impressa. Entre os séc. XV e XVII o texto entregue pelo autor era modificado pelo amanuense profissional que fazia o “cópia limpa” a ser enviada para o censor que também poderia alterar o texto. Se liberado, o texto seguia para as oficinas, onde o editor de cópia fazia modificações no texto e inserção de pontuação - pouquíssimos autores pontuavam os próprios escritos 🤡 - , o texto seguia para a gráfica onde os compositores alteravam o texto de acordo com a diagramação desejada, muitas vezes suprimindo ou acrescentando frases. Em alguns casos - principalmente na Espanha -, os censores conferiam o “manuscrito limpo” com a cópia impressa e muitas vezes arquivavam o manuscrito limpo. Mas na maioria das vezes, os manuscritos eram descartados assim que terminava a impressão. Por isso é tão difícil encontrar manuscritos assinados que datam de antes de 1750. Poucas vezes o próprio autor fazia a revisão do texto finalizado. Foi uma leitura interessante, aprendi alguns fatos novos, mas achei um pouco repetitivo. Esperava mais conteúdo sobre a relação de autor e editor. “Numa época em que os autores geralmente recebiam apenas exemplares de seus trabalhos, os tradutores de Paris foram os primeiros a serem pagos em dinheiro.” p.181 Ah! Fãs de Shakespeare e “Dom Quixote” de Cervantes, vão encontrar muitos fatos interessantes sobre a escrita e publicação dessas obras. - exemplar recebido de cortesia da editora

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    Roger Chartier profile picture

    Roger Chartier

    Roger Chartier é um influente historiador francês, vinculado à quarta geração da Escola dos Annales. Professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales com uma vastíssima obra publicada, especialmente na área da História da Cultura, história do Livro e da leitura na Europa. Também é professor emérito no Collège de France e professor catedrático da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais, na França; professor visitante na Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos. Recebeu, em 1990, o prêmio da Associação Americana de História da Imprensa e o Prêmio Gobert de História da Academia Francesa, em 1992.Dentre suas distinções acadêmicas estão o título de Doutor honoris causa na Universidad Carlos III de Madrid, o título de Fellow da British Academy e a presidência do Conselho Científico da Biblioteca Nacional da França.

    18 Livros
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    Roger Chartier