Essa semana finalizei um mangá shoujo adulto, com bastante romance e drama, chamado Kyou no Kira-kun (algo como O Kira de hoje).
Ele entrou para o top 10 de melhores mangás que já li, por trazer de forma leve temáticas fortes: a morte e bullying.
Nessa história, temos Ninon, uma personagem determinada, forte, bastante adulta para a sua idade, que é introspectiva e introvertida por ter sofrido bullying quando mais nova. Por conta disso, oculta com sua franja uma grande cicatriz causada por essas agressões da infância e também para se ocultar e passar despercebida pelo mundo. Exceto pelo fato de que ela sempre anda com uma calopsita no ombro (ok, eu ri disso, e me arrependo, pois Robert - a calopsita - é um dos melhores personagens!). Todos acham que é um brinquedo, pois o pássaro fica imóvel, mas o que descobrimos logo de início é que Robert é um pássaro mágico, que entende a língua humana e fala. Assim, ela é apelidada de forma pejorativa de "a garota estranha do pássaro".
A única coisa até então que pode dar inveja nas meninas da sua escola/classe, é que o menino mais bonito, popular e debochado da sua turma (além de ser um galinha de primeira), é seu vizinho do lado, em que literalmente, possuem sacadas do quarto de frente, com um curto espaço separando-as.
Eles não possuem nada em comum, Kira nunca notou Nino, e ela muito menos demonstrou interesse nele... Até ouvir da sua mãe que o pai de Kira contou que ele tem...Exatamente um ano de vida. Logo morrerá.
Isso tudo não é spoiler, pois já sabemos desses fatos logo no primeiro capítulo, assim como na sinopse.
A partir desse ponto, temos uma Nino que observa Kira por alguns dias, buscando encontrar vestígios do garoto que tem ciência de que morrerá, enquanto ele leva a vida rindo, desperdiçando o tempo e debochando das pessoas.
Mais do que isso, temos um confronto quando Nino conta que sabe, e encontra a verdade no olhar do protagonista: ele quer viver sozinho, e por isso é tão grosseiro com todos. Mesmo os seus amigos mais íntimos não sabem, e é por isso que Nino promete que passará os 365 dias ao lado dele, criando memórias e fazendo-o aproveitar até o último instante.
Kira descobriu sua doença cardíaca e na época, soube que tinha apenas dois anos de vida.
Mais do que um romance que me fez chorar muito, Kyou no Kira-kun fala sobre medo, covardia, desperdício de tempo e o que queremos da vida. Nino é uma personagem incrível, que não nos decepciona, não faz burrada, e entende que todos os momentos de hesitação, de confusão e angústia de Kira tem a ver com o fato de que, enquanto todos os casais, amigos e pessoas falam do que farão no ano que vem, ele só viverá mais um natal, mais uma primavera. Ele não irá para a faculdade.
Nino se torna outra durante a história, uma versão melhor, que já não se prende ao bullying que viveu no passado.
Mas é com Kira que temos os melhores momentos, quando, sutilmente, percebemos o amadurecimento do personagem, a forma como ele vê os erros do passado, como ele quer viver.
São poucos livros/mangás que me fazem chorar, mas esse em questão me fez rios de lágrimas.
Robert, a calopsita, também não fica atrás no enredo. Com tiradas certas, agindo como um "pai" da Nino, sempre acompanhando-a, sempre sabendo dos sentimentos de todos antes mesmo de serem revelados. É com ele que até o final do mangá temos muitas lições de vida... E o que posso dizer é que há cenas com ele que chorei muito.
Os personagens secundários são bem aproveitados, mas minha única ressalva é que a autora tem umas ideias doidas em determinados momentos, que forçam uma comédia.
Terminei o mangá com o coração leve, com o peito repleto de amor, e ciente de que a autora acertou todos os pontos. Por mais que a temática seja pesada, ela trabalhou de forma leve, com tanto romantismo, poesia e talento, que só de relembrar, me emociono.
É um mangá bem curto, em um dia é possível ler, mas você levará uma vida para esquecê-lo.