Dinah Silveira de Queirós foi uma vez denominada "a esquecida Dinah", pelo repórter Mauro José Lauria, porque, apesar do sucesso da minissérie baseada no seu livro A Muralha, ela permanece desconhecida do público. O que é uma pena. Não vou dizer que todos os livros dela sejam bons (eu me decepcionei com Comba Malina), mas ela é bastante criativa e frequentemente introduz o fantástico na suas histórias.
Estes contos são mostrados como uma tarefa que a autora se impôs para passar o tempo - e nem todos são de leitura fácil. De longe, o melhor deles é Vestida de Sangue, que não fica devendo nada aos contos de Allan Poe. A protagonista (alter-ego de Dinah, talvez?) é perseguida por um homem rancoroso, que desejava a casa que ela comprou. Quando digo "perseguida", não me refiro a perseguir a mulher na rua ou mandar mensagens de ameaça, mas de uma outra forma, aterrorizante.
Depois dele, o meu favorito é Filho do Alheio - acho que muita gente torceria o nariz, mas quando penso em Dinah é a primeira história que vem à cabeça. Trata de uma menina que desde cedo foi ensinada pelos pais (administradores de uma fazenda) a amar os bichos. Quando eles morrem num acidente, a mulher do fazendeiro insiste em criar a menina, apesar do preconceito do marido: "Filho do alheio, víbora no seio!", diz ele. Separada de seus animais de estimação, ela é criada de favor, meio como empregada, meio como companheira da filha dos fazendeiros. Até que uma visita muda sua vida completamente.
Por fim, merece ser mencionado o primeiro conto do livro (esqueci o nome, boto depois), sobre uma ardente patriota que deseja lutar nas tropas de Duque de Caxias. O entusiasmo da moça vem a calhar para as autoridades, já que homem nenhum queria se alistar. Mas, se o patriarcado não vê problema em usar uma mulher como propaganda patriótica, ainda assim ela é mulher e tem que "conhecer o seu lugar". Bem verdade.