“…Este livro o guiará nesta tarefa de ser uma igreja cuidadora e não apenas enviadora dos seus missionários. Por meio do reconhecimento dos dons, envio e cuidado pessoal o Nome de Jesus será glorificado pela chegada do Evangelho em toda parte.” Ronaldo Lidório
Igreja Missionária, Igreja Cuidadora - Ajudando na tarefa de cuidar integralmente dos comissionados
Sergio Victalino
Cuidando integralmente dos que são enviados
Meu texto deste mês vai apresentar um livro que trata de um assunto um tanto recente na missiologia brasileira: Cuidado Integral do Missionário. O livro “Igreja Missionária, Igreja Cuidadora” foi escrito pelo pr. Sergio Victalino, pastor da Igreja Presbiteriana de Boa Viagem (Recife-PE) e envolvido na área de cuidado integral do missionário já há alguns anos. Dos seus trinta anos de ministério ele dedicou nove anos ao campo missionário, três deles trabalhando com ribeirinhos da região amazônica. Durante seus anos de pastoreio ele se dedicou a despertar as igrejas por onde passou para a obra missionária. E em, pelo menos, duas delas incentivou a organização de um núcleo de missões com o objetivo de cuidar dos missionários no campo e fora dele. Hoje a visão missionária das igrejas brasileiras já é bem diferente daquela de vinte anos atrás. No entanto, aparentemente, essa visão ficou estagnada considerando sua tarefa apenas o sustento financeiro do missionário. A Igreja pode e deve continuar contribuindo financeiramente com seus missionários, mas ela foi chamada para fazer mais do que isso. O missionário deve ser assistido integralmente pela igreja, não somente na área financeira, mas também nas áreas espiritual, emocional, física, mental e social. É isso que o pr. Segio Victalino pretende desenvolver ao longo do seu livro. Com pouco mais de 100 páginas, o livro é escrito quase como em forma de diálogo. Uma leitura muito agradável, palavras simples que não exigem um conhecimento técnico na área da missiologia para entender. É um pastor em seu gabinete abrindo o coração, em uma conversa informal com o leitor, orientando a igreja a zelar por aqueles que estão no campo. Os capítulos são curtos e práticos. Com exceção do capítulo três onde é feita uma ótima Fundamentação Bíblia, o autor não se preocupa tanto em recorrer a longas exposições de outras obras ou grandes formulações de teses para abordar o tema de Cuidado Integral do Missionário. Ele mesmo diz que pretende ser “mais funcional do que teórico” . Cada capítulo aborda com grande objetividade os períodos do ministério missionário para os quais a igreja deve voltar seu cuidado: o período de preparo, de pré-envio, de chegada ao campo, de permanência no campo, de visita à igreja local e volta do campo. A obra “Igreja Missionária, Igreja Cuidadora” é quase um manual, um guia prático para o cuidado do missionário. O autor incrementa seu livro com muitas sugestões úteis que podem ser colocadas em prática sem muito esforço, pelo pastor, pelos líderes e pelo departamento missionário da igreja. Veja alguma delas:  Atividades que a liderança da igreja pode atribuir para um seminarista candidato ao campo missionário (p 49).  Maneiras de como a igreja pode amenizar o choque cultural do missionário no momento da sua chegada ao campo transcultural (p.65).  Como o departamento missionário pode ajudar a organizar a agenda do missionário (visitas, consultas médicas, descanso) durante o seu retorno para férias (p.85).  Atividades de reciclagem quando o missionário voltar do campo por um período mais prolongado (p. 91).  Como cuidar efetivamente do missionário que trabalha na cidade (p.99).  No anexo o pr. Sergio ainda oferece um projeto simplificado para implementar o programa de Cuidado Integral do Missionário na Igreja Local (p. 105). Quero dar um destaque especial aos capítulos nove e dez. No capítulo nove o autor trata do cuidado que deve se dar ao missionário que volta do campo por um período prolongado. Os motivos deste retorno são variados – como enfermidade, estudo dos filhos, mudança ministerial etc – o certo é que o missionário precisa se ausentar do campo por um longo período e muitas vezes tem seu sustento financeiro cortado pelas igrejas. Para que isso não aconteça o autor sugere que “o planeamento desse período seja feito com a mesma responsabilidade do planejamento para seu envio ao campo.” Havendo este planejamento e as comunicações devidamente estabelecidas (entre missionário, agência e igreja), o missionário deve ser bem recebido e bem assistido pela igreja que deve aproveitar esse tempo para renovar os laços e estreitar o relacionamento com ele. O capítulo dez aborda o tema dos missionários que atuam “em Jerusalém”. Por não atuarem em um campo transcultural ou fora da sua cidade estes missionários são alvos de preconceito. Segundo o autor, isso acontece “porque a Igreja ainda acha que só é missionário o que vai para longe, trabalha em lugares com certo percentual de sofrimento e que passa por limitações financeiras.” Ele afirma que este preconceito é resultado de “uma cultura que valorizou, durante anos, as dificuldades e os resultados em detrimento da simples obediência e da disponibilidade responsável. ” Para encerrar o capítulo o pr Sergio dá algumas sugestões de como a igreja pode cuidar desses missionários que estão tão perto, mas muitas vezes são afastados para tão longe. Este livro foi escrito partindo de uma ótica pastoral e a meu ver este é seu grande diferencial. Temos visto valiosas contribuições de missionários que escrevem livros dos mais variados temas sobre a obra missionária. No entanto o livro em questão foi escrito por um pastor com visão e experiência missionária e com grata a preocupação de pastorear daqueles que servem.
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