José Barretto Filho representou na cultura brasileira uma nova forma de pensar. Sua obra, rica e variada, permanece mais por suas características espirituais do que intelectuais. Nos textos aqui publicados, organizados por seu filho Vicente de Paulo Barretto, constata-se a superação da estrita crítica literária como modo de expressão, que é alçada ao patamar da inquietação filosófica e de uma vivência espiritual maior. Afastado do burburinho das tertúlias intelectuais e embates políticos, Barretto Filho (1908-1983) refugiou-se numa intensa vida interior, onde pôde demonstrar de que forma, em suas palavras, “o frêmito diante das coisas” é irredutível à racionalização. Em "Esquema de Machado de Assis", ensaio no qual Antonio Candido faz uma síntese precisa sobre a história da recepção crítica da obra machadiana, o crítico destaca Barretto Filho como um dos melhores, e seu livro Introdução a Machado de Assis, lançado originalmente em 1947, como "uma das interpretações mais maduras que possuímos de sua obra".




