Estou feliz por começar o ano com leituras tão maravilhosas. Wild at Heart é um livro muito lindo e carregado de significados.
O herói, Michael, passou quase duas décadas da sua jovem existência longe da civilização, vivendo em um território remoto e selvagem do Canadá. Ele tinha apenas seis anos de idade quando um acidente ocasionou esse ponto divisor em sua vida. Ele se tornou o “lost man”.
Ele foi capturado, preso como um animal, e posteriormente objeto de estudo de um antropólogo, Dr. Winter, pai da heroína Sydney. A ideia da pesquisa era comprovar se o altruísmo era hereditário ou adquirido e, para responder essa questão, o herói parecia perfeito, considerando o seu desenvolvimento diferenciado longe das relações humanas.
Como se vê, rapidamente é possível se lembrar do personagem “Tarzan”, mas isso bem vagamente. Há alguns pontos semelhantes, mas a autora conduz o enredo de uma forma original e muito cativante. O livro é cheio de perguntas sobre Michael. Quem é ele? Como ele sobreviveu? O que ocasionou essa aparente tragédia em sua vida? Ele é selvagem? Enfim, são muitos questionamentos que aos poucos são respondidos e outros em que o leitor é convidado a tirar suas próprias conclusões. A amizade que se forma entre Michael e a família Winter é ponto de partida para essas respostas, com um forte componente de caráter ético.
É um livro cheio de primeiras vezes para o herói. A cena de amor entre Michael e Sydney é uma das mais lindas que já li. Não é difícil se apaixonar pelo casal e, principalmente, por Michael. Ele é inocente no sentido mais profundo da palavra. Ele é um homem no seu estado natural, não corrompido, belo. Como restou demarcado no livro, somos levados a imaginar que ele representa o que “Deus” idealizou ao criar o homem.
Amei. Recomendo muito.