Em Naomi (O título original, Chijin no Ai), escrito por Junichiro Tanizaki, um dos mais importantes autores orientais, conta a história de como nosso narrador Joji conheceu sua amada Naomi, e ao passar dos anos se tornaram marido e mulher. A bela Naomi, com seu jeito ocidental e aparentemente uma aura melancólica logo encantou Joji, um homem trabalhador classe média de 28 anos. Joji não queria um relacionamento tradicional. Não queria casar-se e prender-se à todo o protocolo conjugal que o casamento obriga (não podemos esquecer que esse livro foi escrito nos anos 1920.) Pois, aperfeiçoado por Naomi, uma recepcionista de 15 anos de um Café, Joji percebe que seria perfeito levá-la para sua casa, educá-la, a ver crescer, e se gostasse do resultado, se casaria com ela.
Acontece que Naomi não era nada do que aparentava ser, e é aqui que entra minhas considerações.
Devo frisar que essa é uma história de tragédias, não de amor.
A história se passa com Joji contando todos os acontecimentos do seu relacionamento com Naomi, desde o momento em que a conheceu, até o final do livro, com ele ainda casado com ela. É impossível você não se sentir extremamente incomodado com o estilo de vida que ambos levam como casal. Primeiro você se sente desconfortável pelo fato de Naomi ter 15 anos e Joji 28. Nessa parte da história lembrei do filme "Lolita", e isso me deixou incomodada, pois você consegue ler as entrelinhas. Depois você se sente incomodado pelo jeito como Naomi trata Joji o livro inteiro. Naomi é absurdamente frívola, egoísta, narcisista, mau educada... enfim, ela é tudo o que mais pode te aborrecer em um ser humano. E Joji, bom... Joji é extremamente submisso a ela. A submissão é a palavra chave dessa obra. Você se sente esquisito, desconfortável, com ânsia ao decorrer do enredo. A cada página você consegue perceber as sequelas que a obsessão e a submissão podem causar. Tanizaki sutilmente vai te deixando aterrorizado e perturbado com o que está lendo. É como um terror psicológico que te embrulha o estomago, causando desconforto com as atitudes doentias dos personagens. O objetivo do Junichiro Tanizaki é exatamente esse, causar estranheza ao leitor. E isso é definitivamente concretizado nas últimas páginas do livro.