Marco Polo, o homem que valeu por 100 sábios!
A expressão pode até ser exagerada na interpretação, como ficou conhecida também sua obra, mas tem fundamento na motivação de sua viagem ao acompanhar o pai Nicollo e o tio Matteo. Os dois haviam regressado de um período de anos na Ásia e tinham a missão de retornar com 100 sacerdotes (sábios) e com óleo do Santo Sepulcro a pedido do líder supremo do Império Mongol, Kublai Kan. O soberano desejava conhecer mais das artes do Ocidente e sobre o Cristianismo, incluindo informações sobre o papa, a quem julgava líder supremo, como de fato era. Os irmão não conseguiram cumprir o propósito e retornaram com apenas dois frades (que logo recuaram diante das primeiras dificuldades no caminho) e com o jovem Marco Polo (de espírito aventureiro, irrequieto e muito observador em seus 17 anos). Vantagem para o Grande Khan, que logo teve muita estima pelo jovem, diferente dos outros viajantes e mercadores pelos relatos animados e detalhados (até então burocráticos); e ganhou o jovem Marco e o Ocidente ao viajar e conhecer a Ásia como emissário do Khan. Dessa amizade podemos dizer que nasceu a oportunidade de registro para o fantástico e histórico livro de Marco Polo.
A HQ presta uma homenagem ao mercador, mas comete alguns erros crassos, como a não referência a Rusticello (que escreveu a obra ouvindo os relatos de Polo na prisão), e no casamento do aventureiro com a filha de Kublai Khan que não é citado no livro (a não ser que tenha sido usada outra fonte). Os Polos passaram mais de 20 anos na Ásia e as histórias certamente não se resumem às citações do livro.
Na HQ é referido o caso, ainda que timidamente explorado, sobre o velho da montanha e seu paraíso (está entre os relatos que mais me impressionaram no livro e, na edição que li, é o de Nº 30; vale uma conferida para reflexão).
Evidentemente, apesar da limitação ou erros, a HQ é positiva como ilustração e breve visualização do que representou "Il Milione".