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    A Maldição de Sarnath -

    H. P. Lovecraft

    Iluminuras
    2014
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-13: 9788573214468
    Português Brasileiro
    3.9
    321 avaliações
    Leram556Lendo9Querem266Relendo2Abandonos9Resenhas6
    Favoritos2Desejados266Avaliaram321

    Nenhum autor contemporâneo ou antigo explorou com tanta vivacidade imaginativa os meandros tenebrosos do incompreensível, do inominável, o lado obscuro da existência e da mente humana como Lovecraft. Julgado por muitos o herdeiro literário da face macabra e fantástica de Poe, Lovecraft extraiu das profundezas de sua imaginação um universo de seres humanos e extra-humanos, de mundos pavorosos, de criaturas misteriosas e hediondas que vêm assombrando gerações de leitores neste século. Em A maldição de Sarnath, como em outras obras, Lovecraft foge das idealizações do Bem e do Mal, mergulhando seus personagens num mundo de sombras, de sonhos, de pesadelos, para construir uma arquitetura maravilhosa e assustadora de seres que, ao desafiar sua condição mortal, lançam-se a viagens e aventuras à procura do autoconhecimento, da imortalidade, do poder divino, encontrando, muitas vezes, a própria destruição. É num passado mítico e num tempo indefinido que ele vai instalar boa parte dos cenários e tramas de sua criação. Realidade, sonho e imaginação se confundem e combinam, produzindo acima de deuses terrestres previsíveis, adorados e temidos, outros deuses ainda mais poderosos e aterrorizantes; cria mundos sombrios e subterrâneos que coexistem com a enganosa tranquilidade dos luminosos mundos da superfície; confronta a presunção da inteligência humana com o desconhecido, com o terror ao desconhecido e com a miséria de sua íntima fraqueza e ignorância. O autor ora bebe na fonte da antiguidade grega, ora no passado histórico e lendário do antigo Egito, ora no passado mais recente de sua terra natal, a Nova Inglaterra nos Estados Unidos, palco da caça às bruxas no século XVII, cujos ecos ressoam em toda a sua obra. Ler Lovecraft é abrir uma janela para esse mundo assustador, mas ao mesmo tempo instigante e sedutor. Traduzir em linguagem e emoção as criações mais estranhas, mais aberrantes e simbólicas da imaginação ocidental é o resultado literário de um dos artistas mais curiosos do século XX. Contos: Os outros deuses A árvore A maldição de Sarnath A tumba Polaris Além da barreira do sono Memória O que vem com a lua Nyarlathotep Ex oblivione Os gatos de Ulthar Hypnos Nathicana Do além O festival A cidade sem nome A procura de Iranon O rastejante caos Nas muralhas de Eryx Encerrado com os faraós

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    Carla Silva29/01/2009Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Fantasias Feitas de Sombras

    H. P. Lovecraft (1890 - 1937) é, como outros escritores do gênero fantástico, vítima de seu apelo visual. Algumas de suas histórias adaptadas para o cinema concentram-se nos aspectos de "horror" em sua obra, por vezes deformando-a. Tendo visto propagandas nauseantes dos ditos filmes, demorei a livrar-me da má impressão; fui me arriscar a ler um conto de Lovecraft pela primeira vez numa coletânea com vários escritores do fantástico. Devagar, o autor foi-se despindo da aura de "cine-enjôo" que adquirira para mim. Em A Maldição de Sarnath , volume de contos, encontramos histórias em que o tom predominante é o do fantástico meio maravilhoso, próximo do conto de fadas, ainda que "conto de fadas" sombrio: Os outros deuses e especialmente A árvore. Já em outros sente-se a influência de Edgar Allan Poe - A tumba, onde temos inclusive Lovecraft assumindo a narrativa na primeira pessoa, recurso usual do autor de Os crimes da rua Morgue. Há ainda aqueles contos em que as possibilidades ficam esboçadas, sugeridas, sem alcançar algo concreto: a trama não avança para o horror ou a tragédia, apenas deixa no ar que estas poderiam ocorrer, ou já ocorreram antes que a história começasse: Polaris , Além da barreira do sono, Memória. Mais um conto no estilo de Poe é A maldição de Sarnath: sua linguagem requintada, repleta de descrições de um cenário belíssimo antes que aconteça a catástrofe, lembrou-me A máscara da morte rubra de Poe. É possível que o preâmbulo "belo" no conto-título seja uma variante de uma característica comum nessas narrativas: a da natureza vista como ambígua, como suspeita, na melhor da hipóteses; na pior, como inimiga do homem; como se os astros celestes e as criaturas - minerais, vegetais - fossem precursoras ou aliadas do Mal. "... e em torno de seus carvalhos terrivelmente nodosos foram tecidas minhas primeiras fantasias da meninice (...)" (A tumba, pág. 32). "Pela janela norte de meu quarto brilha a Estrela Polar com misteriosa luz. E durante as diabólicas longas horas de escuridão, ela ali brilha" ( primeiras linhas de Polaris, pág. 45). "...e a Cabeleira de Berenice tremula fantasmagórica e distante no misterioso leste..." (Polaris , pág. 45). "No vale de Nis, a maldita lua minguante brilha palidamente..." (Memória, pág. 65). " (...) Alinhada está a verdura em cada encosta, onde vinhas malignas e trepadeiras rastejam..." (Memória, pág. 65). "Odeio a lua, tenho medo dela..." ( O que vem com a lua, pág. 67). Lovecraft foi portanto muito mais do que o autor de cenas nauseantes priorizadas nas adaptações de sua obra para o cinema. Foi um escritor de fantasias com perspectiva sombria, enveredou pela ficção científica e até no macabro puro - porém de forma muito pessoal, e, com freqüência, sugestiva.

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