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    Winterverno -

    Paulo Leminski

    Iluminuras
    2021
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.1
    52 avaliações
    Leram95Lendo3Querem19Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos5Desejados19Avaliaram52

    winterverno: inverter: winterver-nos. A energia de Leminski volta a transitar entre nós nestes escritos em situações descompromissadas, sem qualquer tentativa de "literarizar" os eventos. Nestes haigas, ou poemas-desenhos (a categoria mais plástica da poesia oriental, segundo Blyth), o que se busca é passar o perfume de uma ideia-emoção com brevidade, humor e sentido. Os temas costumam ser os lances mais banais; coisas máximas vistas de um modo mínimo e vice-versa. Menos é mais. Por isso, tudo passa a impressão de um certo inacabamento, criando vazios que devem ser completados pelo leitor. Leminski: “no Japão, o haiku é parte de um conjunto plástico maior: vem como integrante de um desenho que mantém com o texto relações gráficas muito íntimas”. Aqui, em simbiose com os dezenhos de João, feito fosse um acidente provocado, um relaxo caprichado, texto e imagem, traço e gesto nascem juntos. Tanto no talhe da palavra quanto no detalhe do traço, o haiga quer ser simples, conciso, rústico quase tosco, quase ingênuo. Tudo é mostrado em takes com crueza e intensidade, mas sempre rápidos e certeiros, como tudo em Leminski, que dizia buscar a graça do gesto irrepetível, a emoção captada em pleno ar: há a confissão da dor, da impermanência das coisas, mas sempre com muito humor, virtú e simplicidade. Transitando distraidamente entre o apolíneo e o dionisíaco, em winterverno Leminski mostra que tudo pode ser motivo de poesia. E afirma o quanto a vida pode brilhar nas mãos de um poeta. Sabendo, como ele dizia, que “é a linguagem que está a serviço da vida, não a vida a serviço da linguagem”. Rodrigo Garcia Lopes Aos poucos vamos podendo pisar essas pedras que Leminski nos deixou, e que voltam sempre a nos confirmar a grandeza e a profundidade de seu mergulho poético. Depois do corpo de poemas inéditos que veio à luz com La Vie en Close e do deslumbrante Metaformose, recém-lançado, podemos agora curtir esse winterverno, fruto de um diálogo Intersemiótico com João Suplicy. Entre as inúmeras formas de associação gráfica entre imagem e verbo em nossa época ― da ilustração à legenda, do caligrama ao logotipo, da pintura escrita à poesia visual, do cartaz à HQ ― winterverno tem uma face singular. A síntese verbal de Leminski e o traçado conciso de João se afinaram com muita naturalidade, numa conversa que nos aproxima da condição do hai-kai, em sua origem ideogramática (dois invernos diferentes formando o mesmo). Aqui os códigos verbal e visual se alimentam mutuamente, ora se complementando, ora se tensionando; ora se traduzindo, ora acrescentando um ao outro novas significações. O resultado é de uma sintonia surpreendente, que muitas vezes incorpora e exibe dados sobre a situação do encontro em que foram feitos ― com margem para o salto, o voo, o insight ― e toda sorte de coincidências. A simplicidade e a liberdade com que essa relação se faz, tão intimamente, faz lembrar, por vezes, o Nascimento Vida Paixão e Morte, de Pagu, o Romance da Época Anarquista, diário de Oswald e Pagu, ou o Perfeito Cozinheiro de Almas deste Mundo, diário da garconnière de Oswald - obras/não-obras onde o verbal e o visual se misturam, como a própria criação se mistura à vida. Além de momentos altamente concentrados da poesia de Leminski; além da riqueza de soluções gráficas exploradas por João em seus desenhos; além da delicada interação dos dois códigos; o mais belo desse livro me parece a forma como ele incorpora em si o processo de sua feitura ― exposto no raio x dos suportes precários onde inicialmente o diálogo foi se fazendo (e que compõem sua segunda parte). Rabiscados em folhetos publicitários, guardanapos de bar, pedaços de embalagens, folhas de caderno, a matéria-prima que houvesse na hora; os registros nos mostram a urgência da criação contaminada de vida, contaminando a vida, na captação de seus instantâneos. Um livro que foi se fazendo quase sem querer, e que foi se fazendo querer até tornar se um projeto comum de Paulo e João; da expressão espontânea de uma afinidade à descoberta de uma linguagem. Arnaldo Antunes

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    Mariana Domingos picture
    Mariana Domingos27/01/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Amo demais

    Tem um tipo de livro curtinho que eu nem adiciono no skoob, mas esse aqui eu faço questão. Adoro os livros do Leminski porque eu simplesmente entendo qualquer poema sem precisar pensar muito. É muito muito bom

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    Avaliações

    4.1 / 52
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas19%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    Paulo Leminski Filho profile picture

    Paulo Leminski Filho

    Paulo Leminski Filho foi um escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro. Era, também, faixa-preta de judô. Filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes. Mestiço de pai polonês com mãe negra, Paulo Leminski Filho sempre chamou a atenção por sua intelectualidade, cultura e genialidade. Estava sempre à beira de uma explosão e assim produziu muito. É dono de uma extensa e relevante obra. Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos, ou brincando com ditados populares. Em 1958, aos catorze anos, foi para o Mosteiro de São Bento em São Paulo e lá ficou o ano inteiro. Participou do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda em Belo Horizonte onde conheceu Haroldo de Campos, amigo e parceiro em várias obras. Leminski casou-se, aos dezessete anos, com a desenhista e artista plástica Neiva Maria de Sousa (da qual se separou em 1968). Estreou em 1964 com cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, em São Paulo, porta-voz da poesia concreta paulista. Em 1965, tornou-se professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, e também era professor de judô. Classificado em 1966 em primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna. Casou-se em 1968 com a também poetisa Alice Ruiz, com quem viveu durante vinte anos. Algum tempo depois de começarem a namorar, Leminski e Alice foram morar com a primeira mulher do poeta e seu namorado, em uma espécie de comunidade hippie. Ficaram lá por mais de um ano, e só saíram com a chegada do primeiro de seus três filhos: Miguel Ângelo (que morreu com dez anos de idade, vítima de um linfoma). Eles também tiveram duas meninas, Áurea (homenagem a sua mãe) e Estrela. De 1969 a 1970 decidiu morar no Rio de Janeiro, retornando a Curitiba para se tornar diretor de criação e redator publicitário. Dentre suas atividades, criou habilidade de letrista e músico. Verdura, de 1981, foi gravada por Caetano Veloso no disco Outras Palavras. A própria bossa nova resulta, em partes iguais, da evolução normal da MPB e do feliz acidente de ter o modernismo criado uma linguagem poética, capaz de se associar com suas letras mais maleáveis e enganadoramente ingênuas às tendências de então da música popular internacional. A jovem guarda e o tropicalismo, à sua maneira, atualizariam esse processo ao operar com outras correntes musicais e poéticas. Por sua formação intelectual, Leminski é visto por muitos como um poeta de vanguarda, todavia por ter aderido à contracultura e ter publicado em revistas alternativas, muitos o aproximam da geração de poetas marginais, embora ele jamais tenha sido próximo de poetas como Francisco Alvim, Ana Cristina César ou Cacaso. Por sua vez, em muitas ocasiões declarou sua admiração por Torquato Neto, poeta tropicalista e que antecipou muito da estética da década de 1970. Na década de 1970, teve poemas e textos publicados em diversas revistas - como Corpo Estranho, Muda Código (editadas por Régis Bonvicino) e Raposa. Em 1975 - e lançou o seu ousado Catatau, que denominou

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    Paraná, Brasil

    Paulo Leminski Filho