Cloud atlas -

    David Mitchell

    Sceptre
    2004
    529 páginas
    17h 38m
    ISBN-10: 0340822783

    Six interlocking lives - one amazing adventure. In a narrative that circles the globe and reaches from the 19th century to a post-apocalyptic future, Cloud Atlas erases the boundaries of time, genre and language to offer an enthralling vision of humanity's will to power, and where it will lead us.

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    Ricardo G.16/09/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Quase impecável!

    Existem tantos motivos pelos quais este livro é genial: a linguagem riquíssima e deslumbrante de cada época, os personagens que se mantêm vivos na memória, as excelentes e inesquecíveis histórias, os hilários aforismos de Cavendish, a estruturação dos capítulos, o ritmo misterioso da narrativa, a ligação semi-mística entre os personagens centrais das histórias (que apenas sugere reencarnações de uma mesma alma em diferentes épocas, apesar do autor não ser muito fã do fenômeno), as ligações físicas e reais entre os personagens, as brincadeiras veladas com os nomes dos personagens, a noção explícita de que há uma mente prodigiosa e muito bem versada por trás de cada linha de texto... Mas, além das ligações táteis e incorpóreas entre os seis personagens principais – as quais abrangem um período de cerca de 1000 anos- , existe um tema unificador em “Cloud Atlas”. E ele é, muito infelizmente, o pior ponto do livro. O que é triste. Uma obra deste porte ser cosida com uma linha tão tênue e rota é o equivalente a Luke Skywalker descobrir, ao final do segundo Guerra nas Estrelas, quando Darth Vader revela que é seu pai, que tudo não passou de um sonho psicodélico movido a LSD e acordar suado, enrolado no cobertor em um apartamento no Brooklyn dos anos 70, segurando uma lava lamp à guisa de sabre de luz. Para a sorte do leitor, o tema unificador não é explícito (e nem de longe tão ruim quanto o sonho de Luke!): é possível curtir os ótimos lados positivos relevando-se aqui e ali as passagens nas quais o tema ameaça dar as caras. E qual seria o tal “tema unificador”? Caso não fique patente durante a leitura, Mitchell revela em uma entrevista: “[...] o tema do livro é o instinto predatório, a maneira como indivíduos predam indivíduos, grupos predam grupos, nações predam nações, tribos predam tribos. Então eu pego este tema e de certa maneira o reencarno em outros contextos [...]”. Durante os estudos para a confecção dos capítulos de Adam (ou Adão, o “primeiro” narrador) Ewing, Mitchell se baseou em “Guns, Germs and Steel”, de Jared Diamond. Numa má leitura da boa obra, deve ter pegado daí um afã incontrolável de criticar o progresso com base em argumentos fraquinhos e cheios de “–ismos” (colonialismo, eurocentrismo), retirados poeirentos do arco da velha e espanados com um ou outro “–ismo” moderno (como o ambientalismo). Esta visão cínica da humanidade, esta história do mundo “dog eats dog”, tão batida, fica muito aquém do que um escritor inteligente, criativo e, principalmente, inovador como Mitchell é capaz. O melhor de tudo? É que os dois parágrafos acima, um pouco mais críticos ao livro, são um grãozinho de poeira incômodo em uma obra maravilhosa, estilisticamente impecável, artisticamente genial, original ao quadrado e que deve ser lida com grande prazer.

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