Com uma narrativa que alterna passado e presente, somos apresentados aos amigos Lily Dane, Budgie Byrne e Nick Greenwald.
Em 1932, Lily é uma universitária tímida que vive ofuscada pela bela amiga Budgie. Quando conhece Nick, uma faísca surge e eles constroem uma relação com muito amor e confiança, mas existe um problema: Nick é judeu. Se envolver com ele não seria bem visto pela sociedade na época e ambos sabem disso. Porém, a protagonista está decidida a ignorar o preconceito e manter o relacionamento, mesmo sem o apoio de ninguém nem mesmo de sua melhor amiga que deixa bem claro o que pensa sobre as origens de Nick.
A tradição da família Dane é passar todos os verões em Seaview Neck e em 1938 não seria diferente. Apesar de estar sentindo que sua vida está estagnada, Lily decide que irá aproveitar as próximas semanas para relaxar junto ao mar com sua irmã mais nova. A grande fofoca dos últimos meses é algo que é melhor nem pensar a respeito: o casamento entre Nick e Budgie. O burburinho fica ainda maior quando o casal surge em Seaview Neck e a convivência entre os antigos amigos e namorados é forçada. A partir da chegada dos Greenwald, a protagonista precisa aceitar que talvez seus sentimentos não estejam enterrados e que as cartas devem ser postas na mesa. Tudo isso acontece enquanto outro rapaz do passado surge ex namorado de Budgie agora interessado em Lily.
O que me atraiu imediatamente foi a capa de Cem Verões, belíssima. Assim que comecei a leitura, não demorei para perceber que os problemas que cercavam os personagens poderiam ser mais complexos do que pareciam. Budgie não está feliz, apesar de tentar demonstrar alegria e contentamento o tempo todo; Nick só aparece aos fins de semana e volta para Nova Iorque nos outros dias, mal ficando com a esposa; e Lily se sente incomodada toda vez que precisa observar a interação entre as pessoas que mais a magoaram.
Apesar de ser a clássica mocinha dos romances, doce e ingênua, Lily também é forte uma força discreta, mas que está presente e talvez a torne a mais resistente de todos ali. A crise econômica que abalou não só os Estados Unidos, mas todo o mundo em 1929, está entremeada nas vidas de cada personagem: empresas que faliram, famílias que viram suas vidas luxuosas irem para a lama, empresários cedendo sobre a pressão e cometendo suicídio.
Me envolvi com a trama, torci pelo casal e adorei a protagonista quando algumas revelações aconteceram, fui sendo surpreendida junto com os personagens. Gostei que a autora trouxe o furacão que assolou a região em 1938 para sua história e como ela trabalhou esses momentos para que despertasse tensão funcionou comigo. Foi uma ótima leitura e recomendo muito!