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    Últimas tardes com Teresa -

    Juan Marsé

    Alfaguara
    2015
    424 páginas
    14h 8m
    ISBN-13: 9788579623639
    Português Brasileiro
    3.5
    24 avaliações
    Leram33Lendo3Querem77Relendo0Abandonos8Resenhas5
    Favoritos0Desejados77Avaliaram24

    Ambientado em uma Barcelona de contrastes, Últimas tardes com Teresa narra os amores de Manolo, típico expoente das classes marginalizadas, cuja maior aspiração é alcançar o prestígio social, e Teresa, uma bela garota loura e filha da alta burguesia catalã. Apesar de todas as improbabilidades, eles acabam se aproximando e, juntos, se veem obrigados a enfrentar os desafios da vida adulta. Manolo, mais conhecido como Pijoaparte, vive nas regiões mais empobrecidas de Barcelona. Entre roubos de motocicletas e dias descompromissados na praia, ele conhece Teresa. Seu desejo pela bela universitária se mistura à ambição por uma vida melhor, onde possa esquecer o passado. Já Teresa, militante do movimento estudantil e pretensamente revolucionária, projeta no jovem a imagem do trabalhador engajado e, apesar de todas as improbabilidades, acaba se apaixonando por ele. Por meio desta inusitada história de amor, Juan Marsé cria uma galeria de retratos que caracteriza toda uma época. Publicado originalmente em 1966, Últimas tardes com Teresa é um clássico da literatura espanhola contemporânea. Em suas páginas encontramos a ingenuidade do aparente compromisso; a amargura e o ressentimento dos perdedores; o esplendor, a miséria e as esperanças das diferentes classes sociais, num período especialmente conturbado da história do país.

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    Fábio Ribas Wanderley Dantas picture
    Fábio Ribas Wanderley Dantas18/04/2021Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Últimas tardes com Teresa

    Assustei-me com o prefácio do Mario Vargas Llosa! Demorei a compreender que o objetivo dele não era falar mal do romance de Juan Marsé, mas daqueles personagens e do que eles são na vida real: o Manolo, protagonista da narrativa, que sofre o preconceito social numa Barcelona vivendo as tensões revolucionárias de 1956, e os revolucionários, jovens universitários que defendiam uma abstração marxista que não viviam na vida diária deles. Como representante desse grupo está Teresa, uma menina rica, defensora de causas às quais ela não pertence. Manolo é alvo do preconceito desse mesmo grupo ao qual pertence Teresa. Esta, num primeiro momento, só se aproxima de Manolo por pensar que ele encarna o operário marxista de seu ideal. Contudo, Manolo vem do sul da Espanha, mora na periferia pobre de Barcelona e ganha a vida roubando motos e carros. Devo confessar que não gostei do prefácio de Llosa, mesmo depois de compreender sua intenção. Ele entrega detalhes da história que terminam por atrapalhar o que a narrativa quer causar no leitor desavisado. Devo dizer também que a escrita de Marsé é maravilhosa. Ele escreve muito bem. Mas não é apenas isso. Realmente, falta-me um adjetivo que descreva a delicia de ler suas frases e imagens criadas de forma firme e sem pieguices. Manolo tem um apelido, Pijoaparte, que parece descrever essa condição de marginalidade do personagem. Ele é um ladrãozinho cafajeste, mas cheio de charme, sem dúvida. Ele nutre a ilusão de sair daquela vida miserável se envolvendo com alguém da burguesia. Entretanto, surpreendeu-me que o casal principal do livro só trave o primeiro diálogo na página 189 de um livro de 424 páginas. O primeiro beijo só se dará quase 100 páginas depois, já passada mais da metade da história. Talvez aí surja a melhor das qualidades de Marsé: embora não ocorra tão cedo o envolvimento entre os personagens principais, eu me totalmente envolvido na história criada pelo autor! Mas é na terceira parte do romance que Marsé derrama toda a acidez contra a hipocrisia daqueles jovens universitários. Inevitavelmente, vi-me lançado aos tempos da minha própria adolescência em que também defendia aquilo que, de fato, não entendia. A juventude tem essa característica triste de ser manipulada pelos arquitetos de um sistema que irá apenas beneficiar um grupo específico e que nada tem a ver com aqueles que julgamos estar ajudando. Enfim, um romance delicioso! PS — Veja a ironia daqueles jovens tão preocupados com a causa social, mas que vitimizam a inocente Maruja (e Manolo questiona exatamente essa contradição).

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 24
    • 5 estrelas4%
    • 4 estrelas54%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
    Juan Faneca Roca profile picture

    Juan Faneca Roca

    Juan Faneca Roca conhecido como Juan Marsé (8 de Janeiro de 1933, Barcelona, Espanha) é um premiado escritor espanhol. Aos 25 anos, começou a escrever regularmente nas revistas Ínsula e El Ciervo. Ainda nesse ano terminou o seu primeiro romance Encerrados com un solo juguete, no qual já vinha a trabalhar desde os 22 anos, quando cumpriu serviço militar em Ceuta. Concorreu com esta obra a um prémio do qual foi finalista, o que lhe valeu a publicação do romance. Uma amiga incentivou-o a continuar a escrever e em 1959 convenceu-o a enviar um conto, Nada para morir, para o Prémio Sésamo, que viria a ganhar. No ano seguinte, Juan Marsé deixou a joalharia e foi viver para Paris, em França, onde arranjou emprego num laboratório no Instituto Pasteur. Paralelamente, começou a traduzir argumentos de filmes e a dar aulas de espanhol. Regressou a Espanha em 1962, ano em que publicou Esta cara de la luna. De novo a viver em Barcelona, iniciou a sua ligação ao Partido Comunista Espanhol. Três anos mais tarde, ganhou o Prémio Biblioteca Breve com o romance Últimas tardes com Teresa. Teresa foi uma das suas alunas de espanhol em Paris e era filha de um pianista famoso. Juan Marsé, entretanto, passou a escrever publicidade, textos para capas de livros e diálogos para argumentos cinematográficos. Em 1970 foi nomeado redactor-chefe da revista Bocaccio. Prosseguiu a carreira de escritor com La oscura historia de la prima Montse e Si te dicen que cai, para a qual se inspirou na sua infância. No entanto, esta última obra foi censurada em Espanha e Marsé foi obrigado a editá-la no México, onde viria a receber o Prémio Internacional de Romance. A partir de 1974 passou a colaborar na revista Por Favor, para a qual elaborava retratos literários de personalidades da actualidade, desde actores a políticos e até figuras da alta sociedade. Entre 1975 e 1978 escreveu alguns textos para cinema apenas para ganhar dinheiro. Neste último ano ganhou o Prémio Planeta, um dos mais conceituados de Espanha, com a obra La muchacha de las bragas de oro. A partir desta altura passou a ser um autor com muito sucesso junto do público. Seguiu-se em 1982 Um dia volveré e em 1984 Ronda del Guinatrdó, ambas com Barcelona como cenário. Dois anos depois publicou um novo livro, desta vez de contos, intitulado Teniente Bravo. Em 1990, com El amante bilingue (O Amante Bilingue), ganhou o prémio Ateneo de Sevilha. Três anos mais tarde lançou El embrujo de Shangai (O Feitiço de Xangai), que venceu o Prémio da Crítica, em Espanha, e o Aristeión, atribuído pela União Europeia. Ambas as obras estão editadas em Portugal. Em 1997, Juan Marsé foi distinguido com o Prémio Juan Rulfo da Literatura Latino-Americana e do Caribe, o mais conceituado da América Latina. Em 2000 regressou aos lançamentos com Rabos de Lagartija (Rabos de Lagartixa), também editado em Portugal.

    11 Livros
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    Juan Faneca Roca