Roth Libertado - O Escritor e Seus Livros

    Claudia Roth Pierpont

    Companhia das Letras
    2015
    456 páginas
    15h 12m
    ISBN-13: 9788535925449
    Português Brasileiro

    Philip Roth dispensa apresentações. Desde o início da carreira, Roth produziu parte da melhor literatura do século XX e começo do século XXI. Mesmo assim, não há até o momento produção crítica substantiva sobre seu trabalho. Não havia. Aqui está, finalmente, a história da vida criativa de Roth. Claudia Roth Pierpont traz um relato envolvente, capaz de mergulhar na complexidade do trabalho de Roth e na controvérsia que ele suscitou. O livro não é uma biografia, mas algo mais desafiador: uma tentativa de entender um grande escritor por meio de sua arte. Roth libertado é um trabalho de alto nível, um livro fascinante e fluente que decerto será fonte incontornável para os fãs e estudiosos de Philip Roth pelos próximos anos.

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    jota 11 picture
    jota 1125/09/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Adeus, Nobel...

    Claudia Roth Pierpont (que não tem parentesco algum com o autor) em vez de publicar uma tradicional biografia de Philip Roth preferiu escrever a respeito do escritor e seus livros, todos que publicou. Muitas vezes depois de ouvi-lo, mas sem se preocupar em pedir a opinião dele sobre aquilo tudo que contaria aos leitores. Ele mesmo preferiu assim. Contendo as informações e os fatos básicos da vida do autor do grande sucesso de público e crítica, O Complexo de Portnoy, Roth Libertado até parece uma biografia em muitos pontos. Porém seu livro vai bem mais além, conforme escreve a própria editora brasileira Companhia das Letras, ao dizer que Pierpont fez “(...) algo mais desafiador: uma tentativa de entender um grande escritor por meio de sua arte.” Quer dizer, ela privilegiou sua carreira literária e não simplesmente, por exemplo, este ou aquele aspecto de interesse secundário à primeira vista. Como por exemplo, sua relação um tanto tumultuada com algumas mulheres. Roth foi ou é comumente acusado de misógino, de tratar mal as personagens femininas e de colocar características e ou nomes parecidos de suas desafetas reais nessas personagens. Isso aconteceu mais de uma vez com uma resenhista do New York Times, Michiko Kakutani, que Roth transformou na personagem Kimiko Kakizaki depois... Mas ele foi casado duas vezes (não teve filhos; hoje lamenta isso) e teve várias amantes e namoradas; gostava da companhia das mulheres, não somente de fazer sexo com elas. Não apreciava todas que conheceu, claro: está tudo explicado por Pierpont porque ele maltratava algumas (geralmente com palavras, nunca foi violento) e muitas vezes são citados trechos dos livros em que isso aconteceu. É claro que a questão judaica, em seus vários aspectos, está presente quase o tempo todo em seus livros – muitas vezes até anedoticamente. Não teria como não ser, pois PR foi fundo nela por conta de suas raízes (não gosta de ser chamado de escritor judeu americano). Diversas vezes foi espezinhado não apenas por leitores comuns da mesma origem, mas por zelosos rabinos – um deles chegou a perguntar uma vez: “O que está sendo feito para calar esse homem?” Bem, mas há também sua afetuosa ligação com conhecidos escritores, destacando-se especialmente o autor do celebrado As Aventuras de Augie March e outras obras de destaque, Saul Bellow, que era admirado e venerado por Roth. Bellow foi um grande incentivador de Roth, talvez seu melhor amigo da mesma profissão. PR apreciava igualmente John Updike, que em 1968 lançou Casais Trocados, um pouco antes de O Complexo de Portnoy (1969), dois livros polêmicos, com muito sexo e que sacudiram o mercado editorial e a literatura então e depois. Mas tiveram desavenças por causa de resenhas de livros (Updike também era crítico literário famoso e não gostava de tudo que Roth escreveu). Ainda se diz muito amigo do escritor tcheco Milan Kundera e grande admirador de Kafka, entre outros (Faulkner, Hemingway, Fitzgerald). De Kafka temos uma citação que Roth usou em Zuckerman Libertado (1981) e que acredita que todo leitor deveria seguir à risca: "Penso que devemos ler apenas os livros que nos mordem e aferroam. Se o livro que estamos lendo não nos desperta com uma pancada na cabeça, por que nos dedicar a sua leitura?" Com alguns livros de Roth acontece se não isso, algo próximo: o próprio O Complexo..., O Teatro de Sabbath, A Marca Humana, Indignação. Qualquer livro dele que cair em nossas mãos, se não for uma obra-prima como essas, certamente será sempre uma história acima da média. Mas teve quem jogou seu exemplar de A Humilhação (2009) na lata do lixo de no metrô de Nova York, como conta Pierpont a certa altura. Claro que foi uma mulher, “(...) motivada, não por objeções feministas, mas porque [uma das cenas de sexo] era repulsiva, datada e redundante.” Até penso que sei qual foi... Roth já foi premiado diversas vezes nos EUA e no exterior mas não ganhou o prêmio máximo da literatura mundial, o Nobel. Pierpont explica porquê. Acredito que, conforme escrevi numa outra resenha, que muito mais do que honrar Philip Roth o Nobel de literatura seria um prêmio literário mais respeitado ainda se o premiasse, não o contrário. Coisa que parece que não vai acontecer nunca... Lido entre 18 e 24/09/2015.

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