Não entendo o porquê das poucas críticas para esta pequena história. Ela é em si um de "conto de fadas" do novo mundo, é uma espécie de parábola do encontro e conflito de duas culturas e tradições diferentes e o que de belo este encontro pode gerar. Como um "conto de fadas" que se preze, tem magia, suspense, morte e terror na medida certa. Destaque para o curupira, uma figura do folclore que apesar de meio sinistra, sempre achei "engraçadinha"e que aqui encontra contornos aterrorizantes.
O livro conta a história de um grupo de ingleses que vêm parar no Brasil colonial após uma tempestade afundar sua embarcação. Algo que gostei muito no conto é que o Barreto não se deixa levar por ufanismos românticos sobre a beleza natural do Brasil e de como isto encanta qualquer um que aporta aqui. Os ingleses estão exaustos, doentes, desidratados, desnutridos, depressivos e desesperançosos. E em uma terra estranha e hostil. A mata não desperta encanto, mas temor. As coisas não são muito melhores para a "Invasora" do título, cuja situação reflete as dos ingleses, se tornando quase como uma metáfora para a situação deles. Um clima de desespero é presente em quase toda a história, e o final, na minha opinião, é fantástico. Minha única ressalva é que na história existe certos anacronismos visíveis, mas nada que comprometa. Vale realmente a pena.