Mulheres no poder; O segredo dos cristais de Murano; Morte e loucura no Sertão Pernambucano; Uma batalha no gelo: Cruzados X Russos; Os enlouquecidos ladrões de livros
Mulheres no poder; O segredo dos cristais de Murano; Morte e loucura no Sertão Pernambucano; Uma batalha no gelo: Cruzados X Russos; Os enlouquecidos ladrões de livros
A reportagem de capa "Mulheres no Poder" enfatiza a liderança feminina na história contemporânea, como presidente e primeira-ministra, sem ênfase às características dos governos. São dados históricos e estatísticos que apontam lideranças surgidas, em sua maioria, da indicação de um líder carismático ou parentesco com outros que foram muito influentes. Apenas onze foram eleitas por voto direto e cinco reeleitas. A América do Sul tem três nessa categoria e, paralelamente, alguns dos países símbolos de democracia e igualdade jamais tiveram (França e EUA). "Sangue no Sertão" deveria ter sido a matéria de capa e gostaria de ter visto mais detalhes, pois aborda um assunto que não conhecia: o Sebastianismo no Nordeste do séc XIX. É uma história impressionante sobre um movimento messiânico, como foi o de Canudos, mas com características aterradoras, com a crença na volta em um tal rei de Portugal (Dom Sebastião) que ressurgiria como um libertador dos oprimidos. A origem remonta a dois séculos anteriores, quando o rei partiu de Portugal rumo ao Marrocos para uma batalha. Foi derrotado e seu paradeiro (corpo) não foi localizado, espalhando-se a crença que estaria vivo e voltaria para restaurar a autonomia em sua nação, que havia caído no poder dos espanhóis. Virou assim um símbolo de libertação e isso se disseminou no folclore, principalmente porque um poeta local (Bandarra) registrou isso em trovas. A história chegou ao Brasil via jesuítas e no sertão pernambucano (hoje, Pedra do Reino) alguns embusteiros usaram da má fé, com conhecimento e posse também das trovas de Bandarra, para arrebanhar um povo esperançoso e se declararam, cada um a seu tempo, rei por ali. Era uma comunidade que praticava saques e na doideira dos líderes (onde três se destacaram), ocorreram sacrifícios humanos (mais de 50) e de animais para alimentar a crença da volta do D. Sebastião. Banhava-se em sangue uma pedras que teriam sido dadas pelo rei. Há também relatos de oferendas de partes do corpo (dedos e orelhas) e de orgias com virgens entregues aos reis. Findou-se tudo em uma batalha dramática com muitas mortes. "Todo homem deve morrer, mais cedo ou mais tarde; já os bons livros devem ser conservados". Bonita a frase né? Concordo e até poderia tê-la usado em citações costumeiras ao encontra-la na net. Mas a repudio pela vida do autor. Dom Vicente, foi um monge espanhol amante de livros compulsivo por adquiri-los, fazendo de tudo para isso (se tornando ladrão, saqueador, mentiroso e assassino (estrangulou um desafeto que havia adquirido algo que almejava em um leilão, incendiando também sua casa, e matou a facadas pelo menos outros nove que atravessaram seu caminho na busca de livros, até ser enforcado). "Ladrões de livros" é uma matéria curta que fala da compulsão, pelo lado doentio, de amar livros, citando outros exemplos, tanto da história mais antiga quanto da modernidade. Refleti nisso ao pensar nas atuais bibliotecas que frequento e onde trabalho, onde há um número grande de publicações extraviadas (empréstimos não devolvidos) ou que são deliberadamente "levadas" conscientemente do ato. Triste também ver um grande número de obras raras ou novas com páginas furtadas, ou com figuras cortadas a estilete. Eu, hein! Tem cada coisa e ações em um público que jamais imaginaríamos. De certa maneira, estão nos passos de Dom Vicente... Eu diria que esse homem, e todos, deveria saber (contrariando, nesse contexto, a frase de Maquiavel), que os fins não justificam os meios. Viva o amor aos livros! Mas o verdadeiro, sem egoísmo, que é apegado a valorização e disseminação do conhecimento.

