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    Reflexo dos Górgias

    Geórgia Alves

    Paés
    2012
    62 páginas
    2h 4m
    ISBN-13: 9788561952259
    Português Brasileiro
    4
    2 avaliações
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    A intrigante narrativa da busca, pela escrita que reflete, entre outras, a construção de si a partir do amor e da relação com o outro, mais ainda, o que tudo isso devolve como imagem de si. Aqui, além do prazer e da aprendizagem, existe uma descoberta desejada e talvez uma espera, reveladas ao leitor na medida da própria leitura, como se estivesse a mesma à serviço imediato da reflexão.

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    Geórgia Alves18/05/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Quanndo a descoberta está na própria busca

    Todo espelho guarda na superfície uma imagem assentada. E essa imagem enseja, ao atento, a desconfiança de que a mesma esteja para além do reflexo o que se mostra não corresponde necessariamente à aparência do manifesto, mas a ambiguidade do próprio espelho, que tanto acolhe o que se entende como idêntico, quanto o que se supõe ilusório. Geórgia Alves, jornalista e cineasta, traz em Reflexo dos Górgias a intrigante narrativa da busca, pela escrita que reflete, entre outras, a construção de si a partir do amor e da relação com o outro, mais ainda, o que tudo isso devolve como imagen de si. Aqui, além do prazer e da aprendizagem, existe uma descoberta desejada e talvez uma espera, reveladas ao leitor na medida da própria leitura, como se estivesse a mesma à serviço imediato da reflexão. A ideia do Speculum, portanto, reflete a imagem do real, bem como a discussão acerca do real, de certa forma, discutí-lo não deixa de ser uma transgressão da aparência, o que se vê pode levar ao desejo inconsciente de si e não ao entendimento imediato do que se é. Nesse sentido, o simulacro do espelho estabelece o vínculo pelo ideal esperado, a aparência de algo que não representa no todo a essência, apenas um indício dela. Quando Narciso acha feio o qie não é espelho, diz de si pela ameaça ao torpor que a própria imagem lhe ocasiona a partir do reflexo. Debruçado sobre a água, a armadilha narcísica ensina pela prisão e pelo prisioneiro, alguém subjugado pela aparência, uma contemplação onipresente. Górgia, personagem de calibre intenso, não busca espelhar-se, menos ainda verdades em seu reflexo, busca entender-se para além do espelho, espantada, é verdade, com o que vê e descobre de si: o reflexo como suas sombras, suas sobras. A construção de sua própria identidade é informada no começo pelo narrador, duas coisas: "Há um abismo entre eles." e ainda, "Foi desejo à primeira vista", sinceras indicações sobre a distância entre os dois seres em vertiginoso encontro, e o impulso ardente de descobrir-se e criar-se. Então, a personagem percorre o caminho de si, dizendo-se, as palavras ficam dispomíveis para sugestão e retórica. E são elas para Górgia seu artefato à verdade, traduzir a aparência dos (des)encontros. Ela, mulher em libertação, nomina e com a palavra faz nascer coisas. O texto se arquiteta em (auto)comhecimento: linguagem legível de corpos que se amam e comunicam. Centro sem cenro, nada muito siméteico, aparentemente desorientado, como se não desenhasse claramente um caminho para o leitor, a escrita de Górgia parece espelho de emoções e dúvidas, lembrando o filósofo grego Górgias de Leontinos, cujo discurso era perfirmático e fundamentava seu pensamento em perguntas e descrença. A construção do mundo para ele de absoluto nada tinha, não existiam verdades totais, muito menos hierarquias. Tudo poderia parecer imprensão, o estado ilusório, tal a imagem refletida no espelho. Reflexo dos Górgias exibe, um enredo que acontece a partir de ganhos, hesitações e indagações. E também o desejo que não parece ser concretizado, mas vivido e sonhado, pela falta que sempre há. A questão é que não parece Górgia no fundo pretender qualquer coisa que se sinta, mas, por saber que a vida é breve e.incerta, o melhor dela está na procura, aquilo que pode levá-la em durantes de busca, o caminhante que se faz no caminho. No esforço para se descobrir, Górgia, uma mulher on the road, on her road, deposita no espelho as expectativas do sonhador, desejando transpor o limiar do oráculo, o outro lado. Impulso e ímpeto costuram a delicadeza de suas horas, de ter intimidade em medidas de silêncio. Por isso, resguqrdar o nome do amante é quase desafio, talvez uma estratégia. Seu segredo seria esse? Ele revelando-se, revelaria seu íntimo? Grego, ironicamente, como o filósofo e suas ideia, teria uma chave longínqua, de.muitos séculos atrás, dizendo-a, bem como ao leitor, que antes, antes, de qualquer conjugação, talvez melhor verbo fosse saber escutar-se, quem sabe, uma resposta à imagem assentada no espelho. Do Professor de Literatura e crítico Alexandre Furtado

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