Geraldo Ferraz não foi qualquer um. Tinha algo a mais entre os tantos nascidos do modernismo. A ambição e o virtuosismo o guiavam. Escreveu de um jeito inédito, com parágrafos entrecortados pelas suas próprias volições, pensamentos acelerados que iam longe, acima dos homens, construídos por um cérebro certamente privilegiado que via entre frases e palavras uns dizeres a mais. Assim, competente, entre tramas e descrições dava a tônica ao texto e avançava. Fez de Doramundo essa obra atemporal, bem brasileira que virou filme e ganhou o mundo. Brasil é o país das invencionices e Geraldo Ferraz foi um dos seus melhores expoentes. Roubava de nós o fôlego, sem dó, posto que dominava aquela forma de redação com uma facilidade construída pela cadência do tempo, que, se pensarmos bem, é o mesmo que experiência.
Confesso que fiquei triste que as orelhas do livro Doramundo não fossem preenchidas por qualquer alusão à obra deste magnífico escritor. Depois entendi que talvez não existam palavras a sua altura, nenhuma que explicasse - como ele indiretamente explicava - sobre a arte de escrever.
Fica aqui a minha homenagem.