«Horácio considerava Píndaro inultrapassável enquanto lírico. O inultrapassável nunca é fácil de traduzir, por isso a presente tradução das odes píticas começa por ser um acto de coragem. Talvez só um poeta devesse atrever-se a fazê-lo, mas onde estão os poetas que hoje sabem grego? E nem mesmo Hölderlin, poeta dos poetas e tradutor do grego, conseguiu resultados memoráveis nas suas traduções pindáricas. António de Castro Caeiro ousou arriscar e, como se o risco não bastasse, anotou e interpretou numerosas passagens. Estes hinos hepinícios em honra dos vencedores dos jogos píticos eram a letra de cantatas para as quais Píndaro também compunha a música e definia a coreografia. Daí o carácter rítmico - por vezes enigmático e elíptico - destas odes que no seu conjunto, encontram agora enfim uma versão na nossa língua.»Almeida Faria
