A primeira coisa que tenho a dizer sobre este livro é que se você, como eu, pretende adquiri-lo pensando que encontrará uma analise consistente e detalhada de como e por que ler, sinto muito mas vai ter uma desilusão.
Primeiro porque o titulo já de cara não deixa claro a que se refere o “Como e Por Que ler”. O livro trata de algumas considerações bem pessoais de Harold Bloom( professor e Critico Literário Norte Americano ) sobre como e por que ler certos Contos,Poesias,Romances e Peças Teatrais. Já pela vasta gama dos temas tratados vemos que é uma grande empreitada para um livro de apenas 276 páginas. Além disso Bloom ainda comete o erro, ao meu ver é claro,de exemplificar cada um dos itens com uma outra ainda grande variedade de escritores,“seus preferidos”.
Assim resulta um livro de pouco conteúdo informativo, ou pelo menos de conteúdo informativo que beira o superficialismo. Resulta também um livro de leitura não fluida, visto a profusão de “vozes” que, ao meu ver, poluem o texto, conseqüência da insistência do autor em fazer sistemáticas comparações, as vezes forçadas, entre autores. Dai que o texto se torna raso e pouco denso. A obsessão do autor em comparar Shakespeare com tudo e com todos acaba por irritar a um certo ponto do livro por parecer gratuito e as vezes forçado, além de ser um outro fator a contribuir para a superficialidade do livro.
Penso que nós como leitores ganharíamos mais se o autor se concentrasse mais a análise em poucos autores e poucas obras e esquecesse as comparações, ou as fizesse somente onde fosse estritamente necessária.
Para mim é um livro muito centrado no ego de Bloom, e se como afirma o autor, um dos motivos para se lêr é “fortalecer o ego”, a leitura deste livro, ao menos no meu caso, não atinge esse objetivo tão nobre.
Para não ser tão injusta com o livro, devo dizer que apesar de tudo o que disse acima, o livro contém algumas idéias interessantes sobre o ato de ler e sobre como interpretar certos escritores, mas por todos os problemas que considerei antes, o livro se torna como um todo superficial.
É como certos livros que depois de você “enxugar” o que realmente importa, resta pouco de conteúdo. Ao meu ver a parte mais interessante, e que concentra mais informações e idéias,se não a única, é o “Resumindo” que ele faz do Capitulo sobre Romances, no qual ele sintetiza o por que lêr romances.
Uma ulterior dificuldade é que se o leitor não conhece ou não leu as obras dos quais trata o livro, as idéias de Bloom ficam menos claras, visto que o autor pressupõe que já as conhecemos. Mas e ao mesmo tempo se o leitor já os conhece, arrisco a dizer que muitos de seus comentários e idéias contidas no livro se tornam irrelevantes, pois são muitos pessoais e autocentrados.
Um boa maneira para apreciar este livro seria considera-lo como uma coletânea de resenhas sobre contos,poesias,romances e peças teatrais, dessas que encontramos em revistas ou em jornais, nada muito aprofundado. O que é uma pena, porque lendo o livro sentimos que Bloom tem muito a nos dizer sobre o ato de ler, mas que por qualquer razão fica no nível superficial.
Talvez a razão ele nos dê no prefácio quando nos diz: “A crítica literária, conforme aprendi a entendê-la, deve ser experimental e
pragmática, e não teórica”. E como minha expectativa era uma outra quando adquiri o livro, minha experiência com esse livro foi um pouco frustrante.
Veredicto: Regular