As Coisas de João Flores -

    Marco Aurélio Cremasco

    Patuá
    2014
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-13: 9788582970874
    Português Brasileiro

    As Coisas de João Flores reúne poemas curtos sobre a natureza, simplicidade e dualidade campo/cidade. O livro tem prefácio do escritor Ademir Demarchi e posfácio de Carlos Vogt. É dividido em capítulos, pensados para explicar diferentes fases da vida de Flores. “A ideia foi a de escrever um livro de poemas que se pode ler aleatoriamente ou até mesmo, o livro, como um longo poema, dividido em seções. Em cada uma predomina uma determinada temática”, diz. A obra é dividida em seis capítulos que, por meio dos poemas, falam da própria poesia, identidade, reflexão sobre a vida, contato com a natureza, amadurecimento e finalmente sobre o amor de João Flores.

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    Cláudio B. Carlos11/05/2017Resenhou um livro
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    MARCO CREMASCO & AS COISAS DE JOÃO FLORES    

    Findo a leitura de As coisas de João Flores – excelente livro de poesias de Marco Cremasco. Fico com a certeza: tenho, na estante, uma fonte imorredoura – de onde beberei, vez por outra e sempre. O volume, apresentado em capa dura, traz um belíssimo projeto gráfico – ótimo trabalho do Eduardo Lacerda (Editora Patuá).         Logo no início, leio:   “APRESENTAÇÃO”   bom dia   senhoras senhores   bom dia   bom dia cães gatos ratos pássaros   passo mais e mais manhãs felizes e... tristes mas tenho a satisfação de vê-los a tempo   de sentir a gestação das flores   não as conheço sinto-as no voo das borboletas feito anjos enlouquecidos procurando nacos de terra para descansar       Marco Aurélio Cremasco nasceu em Guaraci, no Paraná. E, com “MONÓLOGO DE UM PÉ-VERMELHO”, continua sua apresentação:   amanheci o céu na grama amarelecida só para comê-lo com pão e margarida   já bem tarde, cansado de ser caçado por uma sombra, rejeitei as sobras de ser ninguém para ser sol na face de alguém   meio urbano meio caipira tangi vinte liras fora de moda, pois a moda não é violeta, é de viola   fiz-me assim para ser celestino longe do nepal caçar rimas e colher sons é uma preferência nacional   nesta noite, quando muitos brigam por sobremesa, fico de tocaia no prazer de virar a mesa   esfomeado, aguardo a saci astronauta para completá-la na perna que lhe falta   saciado, adormeço no seio de um riacho para acordar numa cama de capim   e assim tudo será como sempre foi: olhar de índio velho sorriso de curumim       As coisas de João Flores se divide em seis partes: Paiol de espelhos, Arado nas tramas, Trançados do tempo, Madrigal de firulas, Arroio de estrelas e Canteiro de arrebol. O livro conta, ainda, com prefácio de Ademir Demarchi e posfácio de Carlos Vogt.       Para não transcrever toda a obra, já que quase toda foi sublinhada durante a prazerosa leitura, escolherei um poema de cada parte supracitada.     De Paiol de espelhos, publico “TRAVESSIA”:   quieto observo paisagens   silêncio quebrado por um poema pedindo passagem     “SANTOS E LOUCOS” – de Arado nas tramas:   fiz de tudo um pouco fui santo fui louco   tive o prazer do mundo   de poder encher um copo sem fundo       Uma beleza!   “tive o prazer do mundo de poder encher um copo sem fundo”   Que bela imagem! Poesia de gente grande.     De Trançados do tempo, destaco “CÁLAMO”:   não sei se é o sol nem se é a chuva   luz breu chama vela sem pavio   não sei se faz calor muito menos frio   nem mais sei se é março agosto dezembro abril   (não sei o que me cala)   no olhar que me conforta vejo que a curva da porta   sempre abriga uma sombra amiga       Os versos “vejo que a curva da porta/ sempre abriga/ uma sombra amiga” compõem a dedicatória do exemplar que me foi, gentilmente, enviado pelo autor.       Retiro, de Madrigal de firulas, o poema que segue:   “NA MARGEM DO RIO”   sempre se apanha um peixe no olhar do pescador       Aqui, outra bela imagem...       Em Arroio de estrelas pesco “DA ILUSÃO DE NARCISO”:   qual o limite para o desespero?   esconder segredo a um espelho?     E, finalmente, de Canteiro de arrebol, destaco “PESSOAS”:   você grita esperneia faz caras truques caretas   traça versos de espanto e nesse universo pandilheiro   você, álvaro de campos eu, seu alberto caeiro     Sublime, não?   As coisas de João Flores é todo escrito em letras minúsculas – gosto disso, desses “atrevimentos” estilísticos.     Agora, como revisor de textos que sou, digo: nenhuma vírgula fora do lugar. As coisas de João Flores é um primor.       Recomendo – com força.     BH – fevereiro de 2015. O texto original está aqui:

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