Grato presente!
Sempre costumo frisar a importância de darmos valor à literatura nacional. Não só aos clássicos já consagrados, mas também a estas novas gerações, os contemporâneos, que muito lutam por espaço e reconhecimento. E não o faço tão somente por ser uma autora nacional, mas por saber que há inúmeros escritores talentosíssimos por ai. E esta obra veio apenas a corroborar com essa ideia.
Neste livro você encontrará personagens excelentemente bem construídos e, o melhor, demasiadamente humanos, palpáveis. Por certo, chegará a identificar-se com um (ou alguns).
Presenciamos no decorrer destas páginas um desfile de estilos literários e foi justamente isso que fez com que eu gostasse tanto desta obra. Perceber as nuances, o modo de colocar as palavras no papel e expressar as ideias de cada um. Senti-me quase cúmplice de todos estes autores durante a leitura. Imaginei-os escrevendo cada uma destas palavras.
Todos os autores, sem exceção, estão de parabéns. Palmas a ilustradora também, claro.
Quero pontuar aqui três histórias que me saltaram aos olhos:
Remetente nº 10 de André Gabeh -
Suzanna me conquistou desde as primeiras linhas. A crueza das palavras, da história choca. Incrível. Gostei muito de seu modo de brincar com as palavras. Isto mesmo, brincar. E só quem é fera consegue fazer isso.
Remetente nº 11 de Guilherme Oli -
Uma delícia de história. Palavras doces para personagens igualmente doces. Chegava a sorrir com a narrativa, quando, de repente, a realidade se desenha. Ela não foi atirada ao papel, a esmo. Foi lindamente costurada, encaixada no enredo de forma extremamente bela. E deixou a história melancólica e dramática na medida certa! Impressionou-me muito. Mas, bem, não esperava nada menos do Gui, que já conheço de Remoto e Improvável.
Remetente nº 13 de Paulo Sérgio Moraes - Adorei a personagem principal! Enquanto lia liguei-a a um professor meu de quem gosto muito e isso deixou a leitura ainda mais gostosa. Uma história psicológica, sobretudo. E repleta de sentimentos, confusos por vezes, na cabeça das personagens. Um retrato riquíssimo meu e seu, que poderia ser de qualquer um de nós. Também gostei muito da forma como a história foi contada, senti-me como se estivesse ali do seu lado, vendo-o escrever a carta.
Esta é uma obra simples e primorosa. A simplicidade confere-lhe uma identidade única. Ainda mais sabendo que a concepção desta obra, o projeto em si, contou com o apoio de tantas pessoas e através delas teve sua realização.
Precisamos exatamente disso, de pessoas que acreditem nestes autores, que confiem nos nomes que hoje representam a literatura nacional e que apoiem cada vez mais esta ideia.
Parabéns mais uma vez a todos estes autores... São extremamente talentosos!
Ode à literatura nacional!