A objetividade de Circo invisível é mais realista que um relato não ficcional, provando que não importa o que quer que estejamos procurando, em geral queremos encontrar a nós mesmos.
''Por mais que Phoebe tentasse preencher a lacuna entre ela e Faith, sempre havia alguma diferença. Mas um dia essa lacuna desapareceria, ela acreditava, como parte de uma transformação maior pela qual Phoebe estava constantemente esperando.''
São Francisco, 1978. Depois de perder o pai na infância ( um pintor sem sucesso ) que trabalhava em uma grande empresa para sustentar a família, a influência do pai sobre os três filhos (além de Faith e Phoebe, há o irmão Barry) é enorme, e sua morte repentina é a primeira fila de tijolos desmoronando na estrutura familiar.E alguns anos depois, com a perda trágica de sua irmã mais velha, Faith, ter se suicidado de modo misterioso na Itália durante uma viagem com o namorado, jogou Phoebe e sua família em uma espécie de limbo, em que a dor da perda se sobrepõe e até cega a inevitabilidade do agora.
Phoebe passa a maior parte do seu tempo em casa com a mãe, enclausurada (por vontade própria) em uma cápsula do tempo metafórica (o quarto da irmã) e vive assombrada pelas memórias do passado, idealizando a figura de seu pai, principalmente , a de Faith. Ela precisa (sem saber, ou fingindo não querer saber) necessariamente que deve desapegar-se da sombra da irmã, para olhar o mundo com os próprios olhos, e é isso que move a trama.
Em um roteiro que inclui Inglaterra, Holanda, França, Alemanha e Itália, Phoebe experimenta a liberdade,vivencia novas experiências e se surpreende com o que o destino reservou para ela. Longe de casa, ao tentar desvendar o que aconteceu com a irmã, ela acaba descobrindo mais sobre si mesma. Jennifer Egan expõe um personagem saindo de um coma autoinduzido na busca pelo seu próprio eu. Ao sair da sombra da irmã, Phoebe está pronta para uma nova década (os anos 80) surgindo no horizonte. O dia seguinte como metáfora de esperança.