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    História Universal da Infâmia -

    Jorge Luis Borges

    Editora Globo
    2001
    103 páginas
    3h 26m
    ISBN-10: 8525033766
    Português Brasileiro
    4
    503 avaliações
    Leram832Lendo31Querem475Relendo1Abandonos14Resenhas31
    Favoritos13Desejados475Avaliaram503

    Antes de tudo, este é um livro divertido e inteligentíssimo, guardando surpresas para o leitor a cada frase. Sendo um exercício de aprendizagem para o autor, que se iniciava na arte da narrativa curta no começo da década de 1930, é ao mesmo tempo um texto de livre experimentação, uma vez que nele Borges se permite ousadias de invenção sobre histórias alheias e próprias, em larga medida inspirado pelas releituras de Stevenson, pela prosa de Marcel Schwob, pelos filmes iniciais de Josef von Sternberg, além da pintura, estimulado, quem sabe, por sua amizade com os pintores Xul Solar e Pedro Figari. Embora as histórias que compõem o volume tenham sido tiradas, em grande parte, de livros de outros autores, o trabalho abissal de reescrita é a novidade, complexa e de grande força expressiva, pois depende da criação incomum de pormenores circunstanciais de longo alcance que, por meio de sua concretude e particularidade, ampliam e adensam os significados dos argumentos que aproveita, imprimindo-lhes um sentido inesperado. São obra de um leitor mais tenebroso e singular que os bons autores, como se anuncia num de seus dois prólogos notáveis. Essa arte de deturpar textos alheios em biografias imaginárias decalcadas pelo estilete da cortante ironia prepara o terreno para o voo solo de um narrador tímido num conto desconcertante: “Homem da esquina rosada”. Já pela forma do título, ele evoca quadros de uma exposição, no caso, uma galeria de valentões suburbanos de uma vasta mitologia portenha: eles arriscam a pele na rivalidade dos punhais até o momento de uma revelação simbólica, mediante uma prosa singularmente mesclada da mais atrevida oralidade popular com a linguagem culta. Como Mário de Andrade ou, mais tarde, Guimarães Rosa, Borges descobre as veredas para transformar a matéria local argentina em símbolo universal.

    Edições (5)

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    Resenhas (31)Ver mais
    Régis Maz picture
    Régis Maz06/06/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Jorge Luis Borges em prosa

    A História Universal da Infâmia foi publicado em 1935 e foi o primeiro livro em prosa de Jorge Luiz Borges, que, com uma autenticidade surrealista, narra contos ficcionais compostos de fatos e que ao serem descritos de forma simples camufla a complexidade de seus protagonistas. Nesse livro o autor acaba desenvolvendo uma reflexão apurada sobre textos ou trechos celebrizados por outros escritores, resumindo em suas páginas a história de vários “vilões” do passado de forma concisa e direta tornando alguns personagens menos vívidos do que minha memória necessitaria para lembrá-los em um momento ulterior e outros vívidos de uma maneira que parecem terem sido carimbados em minha lembrança. Apesar de alguns personagens não terem sido tão marcantes para mim o livro possui histórias interessantes que com certeza lembrarei na narrativa de Borges como: a Viúva Ching, Billy The Kid, Hákim de Merv, alguns outros e ainda algumas histórias dos livros das Mil e Uma Noites que me arrancaram risadas. Ao relatar a infâmia desses personagens, Borges mostra uma estética completamente nova e isso já vale imensamente a leitura. Esse livro com certeza não estará entre os meus favoritos de Borges, mas considero um privilégio tê-lo lido e podido, assim, apreciar um pouco mais da escrita do autor que tanto me encantou em "Ficções" e em "O Aleph" e que continuou me encantando aqui. Recomendo "História Universal da Infâmia" como uma forma mais leve de conhecer o universo borgiano.

    95 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 503
    • 5 estrelas27%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo profile picture

    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo

    Mais conhecido como Jorge Luis Borges, foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino. Em 1914 sua família se mudou para Suíça, onde ele estudou e viajou para a Espanha. Em seu retorno à Argentina em 1921, Borges começou a publicar seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. Em 1955 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina e professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prêmio international de editores, o Prêmio Formentor. Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente no Estados Unidos e Europa. Borges era fluente em várias línguas. Morreu em Genebra, na Suíça, em 1986. Sua obra abrange o "caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura". Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios e livros fictícios, religião, Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica. Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". Os poemas de seu último período dialogam com vultos culturais como Spinoza, Luís de Camões e Virgílio. Sua fama internacional foi consolidada na década de 1960, ajudado pelo "boom latino-americano" e o sucesso de Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. O escritor e ensaísta John Maxwell Coetzee disse sobre ele: "Ele, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos".

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    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo