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    Villette -

    Charlotte Brontë

    Pedrazul
    2015
    432 páginas
    14h 24m
    ISBN-13: 9788566549096
    Português Brasileiro
    4.1
    883 avaliações
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    Favoritos10Desejados3369Avaliaram883

    Notadamente autobiográfico, Villette foi o último romance publicado em vida por Charlotte Bronte. Nele, ela atingiu o auge de seu poder artístico. É o trabalho mais completo e profundamente sentido da autora, superando até mesmo Jane Eyre em aclamação da crítica. O livro é narrado por Lucy Snowe, que foge da Inglaterra e de um passado trágico para se tornar preceptora e, mais tarde, professora de inglês em um pensionato francês dirigido por Madame Beck, na cidade fictícia de Villette. Lá, ela inesperadamente confronta seus sentimentos de rejeição, saudade, abandono e luta pelo amor de um homem. Apesar da adversidade e da decepção, Lucy sobrevive para contar a visão irrestrita da jornada de uma vida turbulenta, uma viagem de uma mulher sozinha, os sentimentos conflituosos por dois homens tão diferentes como o fogo e o gelo, Monsieur Paul Emanuel e doutor John Graham Bretton, e um futuro incerto. Virginia Woolf o aplaudiu “como a melhor obra de Charlotte Brontë.” e George Eliot o consagrou: “Villette é um livro ainda mais maravilhoso do que Jane Eyre. Há algo de sobrenatural em seu poder.”

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    A Louca dos Livros picture
    A Louca dos Livros14/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Como é estar verdadeiramente sozinho?

    Esse livro conta a história de Lucy Snowe, uma jovem inglesa vítima de um trágico acontecimento que a torna órfã de família. Sem ter para onde ir, ou a quem recorrer, essa perseverante jovem decide se aventurar no exterior e acaba indo parar em um pensionato para moças de Madame Beck em uma cidadezinha francesa, chamada Vilette. Lá Lucy nos faz descrições de como é viver em meio aos franceses, e ainda por cima católicos, nossa jovem é protestante como uma boa inglesa deve ser. Também trás uma boa descrição das frivolidades das meninas ricas e o contraste do cenário educacional de Madame Beck para com o resto do mundo. Foi uma leitura que me deu bastante sobre o que refletir, acho que acima de tudo Vilette, no meu ver, é um livro sobre estar sozinho. Como seria a sua vida se você fosse privado de todos que conhece? Se você se encontrar verdadeiramente sozinho, a ponto de sua morte não afetar a vida de ninguém? Lucy trás muitas reflexões sobre estar só no mundo, como ela tem momentos de desespero por não ter nem uma alma que esteja ao lado dela, nem um parente, nem um amigo, nem sequer um bichinho de estimação. Mas em meio a isso ela também nos mostra a perseverança de continuar caminhando, mesmo que a própria presença ou ausência não faça a menor diferença na vida de ninguém e acho que isso é o mais belo, construir uma vida por si, e não por outros, viver por você. Minha reflexão no mundo atual me diz que poucas pessoas verdadeiramente conhecem esse significado, eu mesma desconheço a profundidade de uma vida assim. O livro aborda muitas outras questões envolvendo a redenção de alguns personagens, trás problemáticas também sobre comportamentos masculinos aceitáveis para época, mas que hoje são considerados extremamente machistas, mas que ainda infelizmente se fazem presentes nos tempos atuais. Lucy também faz uma crítica polêmica bem maciça ao Catolicismo Romano, mas que também relevamos pela diferença de tempo que o livro foi escrito. Porém apesar dessas críticas e mesmo sabendo que esses comportamentos não são aceitáveis para os tempos atuais, ainda sim são mesclados em nossa sociedade, então mesmo que não sejam tão escancarados como eram no séc. XIX, ainda hoje se encontram presentes de forma bem mais disfarçada, mas ainda presentes e praticado por nós sem nosso próprio conhecimento, então mesmo que tenha se passado séculos de diferença entre a realidade de Lucy e a minha, compartilhamos dos mesmos problemas em níveis diferentes, nesse caso vemos um romance atemporal presente aqui. Mas já falei demais, para aqueles que me acompanharam até aqui, faço um convite para conhecerem Lucy e a cidadezinha de Vilette, tirem suas próprias conclusões, as minhas estão bem evidentes acima, foi uma leitura difícil com toda a problemática trazida, mas foi uma leitura igualmente gratificante pelo mesmo motivo e que me deu muito o que refletir, mais uma vez agradeço a Charlotte Brontë, pelo seu legado e educação ética e moral através de suas obras, recomendo a leitura a todos!

    116 curtidas

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    4.1 / 883
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas5%
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    Charlotte Brontë profile picture

    Charlotte Brontë

    Charlotte Brontë foi uma das grandes romancistas da Inglaterra do século 19, a mais velha das três irmãs Brontë, cujos romances são marcos na história da literatura mundial. Nasceu em 1816, sendo a terceira filha do reverendo Patrick Brontë e de sua esposa, Maria Branwell. Seu irmão, Patrick Branwell, nasceu em 1817 e suas irmãs, Emily e Anne, em 1818 e 1820, respectivamente. Em 1820, seu pai foi nomeado como pároco de Haworth, próximo a Yorkshire, para a família se mudou; em 1821, Maria Branwell morre e deixa a criação de seus filhos sob os cuidados de sua irmã, Elizabeth Branwell. As pobres condições de vida enfrentadas pelas crianças Brontë as levaram a uma série de problemas de saúde, iniciando com a morte das duas irmãs mais velhas da família, em 1825, após terem ingressado no Clergy Daughters School. Foi este colégio que inspiraria, mais tarde, Charlotte na descrição do sinistro colégio Lowood que aparece em seu romance “Jane Eyre”. Seu ingresso na literatura iniciou-se com pequenos contos de inspiração byroniana escritos em conjuntos com seus irmãos: com Patrick, criou o reino imaginário de Angria, ao mesmo tempo que Emily e Anne criavam o reino de Gondal. Em 1842, Charlotte e Emily ingressaram em internado em Bruxelas, mas a morte de sua tia a obrigaram retornar à Inglaterra. Emily passou a cuidar da administração da casa dos Brontë e Anne tornou-se preceptora de uma família nas cercanias de York, para a mesma família na qual Patrick Branwell servia como professor particular. As experiências que Charlotte vivenciou em Bruxelas serviram para inspirá-la nas características da personagem Lucy Snow, protagonista de seu romance “Villete”, de 1853. No mesmo ano, seu irmão Patrick envolveu-se com a mulher de seu patrão e a partir deste ano passa a recorrer ao ópio e à bebida. Foi Charlotte quem incentivou as irmãs a escreverem e a publicarem seus romances, a partir de 1847, valendo-se de pseudônimos ambíguos: Charlotte publicou “Jane Eyre”, sob a alcunha de Currer Bell; Emily, publicou “O Morro dos Ventos Uivantes”, sob o nome de Ellis Bell, obtendo sucesso imediato; “Agnes Grey”, foi publicado por Anne, sob o nome de Acton Bell. Emily morreria de tuberculose, em 1848 e Anne, em 1849, um ano após publicar “A Moradora de Wildfell Hall”. Charlotte se casaria em 1854 com o assistente de seu pai, Arthur Bell Nicholls, que fora o seu quarto pretendente. Em 31 de março de 1855, grávida de seu único filho, caiu enferma e morreria de tuberculose como suas irmãs. A importância de Charlotte Brontë é significativa em um momento em que as relações sociais e econômicas da sociedade se transformavam: em uma época onde as mulheres eram consideradas apenas como um mero adorno social, Charlotte Brontë bravamente enfrentou os obstáculos da sociedade através de sua obra. Seus romances falam sobre a opressão da mulher, o que a caracterizam como uma das primeiras mulheres modernas; entretanto, classificá-la apenas como feminista seria uma má-representação de sua verdadeira condição e importância. Diferentemente das escritoras Mary Wollstonecraft e George Sand, que surgem como as primeiras defensoras da nova condição da mulher, Charlotte vale-se exclusivamente de suas obras para imprimir uma nova visão do papel da mulher. Nesse ponto, Charlotte Brontë é uma das grandes opositoras da obra de Jane Austen, por considerar que as personagens austeanas se conformavam com o papel da mulher submissa dos primeiros anos do século 19. Nesse ponto, as personagens elaboradas por Charlotte são diametralmente opostas às criadas por Jane Austen. Sua vida foi registrada através da biografia publicada por sua amiga, a escritora Elizabeth Gleghorn Gaskell. Sua produção literária, apesar de modesta, é significativa: sua primeira obra, “The Green Dwarf, A Tale of the Perfect Tense”, foi escrita em 1833; seguiu uma produção juvenília até a publicação de seu primeiro romance, “Jane Eyre”, em 1847; “Shirley” foi escrita em 1849; “Villette”, em 1853; “O Professor”, apesar de ter sido seu primeiro romance, antes mesmo de “Jane Eyre” somente foi publicado postumamente, em 1857; deixou ainda inacabado “Emma”, publicado em 1860.

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    Yorkshire, Inglaterra

    Charlotte Brontë