Escrito em 1992, Snow Crash, de Neal Stephenson, subverte as realidades virtuais, o cyberpunk e o próprio gênero literário. O livro traz a história de Hiro Protagonist que é, no mundo real, entregador de pizza na CasaNostra, enquanto no Metaverso é um príncipe samurai desvendando os enigmas de um novo e perigoso vírus. Snow Crash está entre os 100 melhores romances de todos os tempos eleito pela TIME.
Minhas expectativas sofreram um Snow Crash
Desde que eu me aventurei pela trilogia do Spraw de William Gibson, passei a ser um grande fã do conceito de mundo Cyberpunk. Então, foi natural chegar a este livro escrito por Neal Stephenson e lançado em 1992, que é considerado um clássico do gênero. Então as minhas altas expectativas eram justificadas. Justiça seja feita, é bom salientar que o autor desenvolve aqui alguns conceitos interessantes como a idéia de Metaverso, que me parece um desenvolvimento da Matrix criada por William Gibson ou a construção de uma realidade onde o governo dos EUA está arruinado e geograficamente passa a ser composto por diversos mini países chamados no livro de franchulados, cada um deles com suas próprias leias. As descrições das tecnologias existentes neste universo também é bastante competente. A principal e mais interessante ideia desenvolvida no livro é a ideia do vírus neurolinguístico com origem na Suméria. O grande problema é que o autor quer falar de tantos assuntos diferentes como religião, mitologia, política, tecnologia e etc., mas não consegue amarrar isso tudo em uma narrativa coesa, o que acaba resultado em um andamento arrastado e trechos grandes que simplesmente não fariam diferença se não existissem. Outro aspecto que me desagradou foi a construção dos personagens. Hiro Protagonist é tão profundo quanto uma poça d'água; Y.T. é uma adolescente de 15 anos rebelde que o autor se esforça tanto para ela parecer descolada que me pareceu que ela saiu de algum roteiro da novela malhação. O pior e mais caricato é o Corvo, um brutamontes mutante e violentíssimo, claramente inspirado no Lobo da DC Comics. Esta falta de habilidade do autor em construir uma narrativa envolvente só fica mais evidente conforme avançamos na história, a ponto de certos acontecimentos só se justificarem na seguinte frase: porque o roteiro quis. A relação entre Y.T. e o Corvo é simplesmente inexplicável, assim como o sentimento demonstrado por ela pelo tio Enzo, o grande chefão da máfia , que não faz o menor sentido e não se justifica na história. O ápice desta inabilidade de Neal Stephenson é o final do livro: nas últimas 100 páginas (mais ou menos) tudo é tão jogado que eu tive a nítida impressão que o autor estava meio que de saco cheio e apenas fechando a história de qualquer jeito. Os personagens principais terminam a história, depois de muita matança e destruição, como se tivessem ido na padaria comprar pão e leite e voltado, de tão banal que foi. Infelizmente, o meu sentimento ao terminar a leitura foi de alívio. De ponto positivo, fica apenas o meu novo interesse em mitologia Suméria.
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