O autor não está preocupado em aprofundar personagens ou contextualizar historicamente as batalhas travadas pelos pilotos japoneses. A narrativa assemelha-se bastante a um diário. Tanto que tive a impressão que o texto não foi direcionado a um público específico, e sim para o próprio autor ou para alguém próximo a ele.
Senti-me como um soldado colega de Sakai que ficou em terra louco pra saber detalhadamente o que ele fez, manobra por manobra, para retornar vivo à base. O problema é que eu não faço ideia de quais são os nomes das manobras de um caça e o Saburo Sakai não tem um pingo de paciência para explicar. O que deixou a leitura um pouco tediosa.
Por outro lado, entender o nível de disciplina que as forças armadas japonesas tinham e o quanto a cultura impactou nessa rigidez foi bem interessante. Por exemplo, os soldados lançavam-se à guerra sem nem sequer questionar o motivo. Se o superior apontava a direção, eles iam.
Além disso, trouxe o lado humano dos soldados japoneses. A ideologia de um governo não traduz o que um individuo pensa. Sakai mostrou-se um homem de valor ao tomar decisões sensatas em prol da vida de seus companheiros e até piedade por seus inimigos. Nesse ponto, o livro foi muito importante para desmantelar paradigmas preconceituosos em relação aos soldados japoneses.
Leitura proveitosa.