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    Catch-22 (eBook) - Artigo 22

    Joseph Heller

    Dom Quixote
    2012
    463 páginas
    15h 26m
    ISBN-13: 9789722047425
    Português
    4.1
    568 avaliações
    Leram780Lendo91Querem2707Relendo1Abandonos84Resenhas50
    Favoritos2Desejados2707Avaliaram568

    Passado em Itália durante a II Guerra Mundial, conta a história de um comandante de bombardeiros, um herói incomparável e matreiro, que está furioso porque milhares de pessoas que não conhece de lado nenhum querem matá-lo. Mas o seu verdadeiro problema não é o inimigo - é o seu próprio exército, que está sempre a aumentar o número de missões de voo que os homens têm de cumprir para completarem a sua comissão de serviço. Porém, se tenta arranjar uma desculpa para ser dispensado das perigosas missões que lhe são atribuídas, viola a Catch-22, o Artigo 22, uma norma burocrática hilariante mas ao mesmo tempo sinistra: um homem é dado como doido se continuar a participar voluntariamente em perigosos voos de combate, mas se apresentar um pedido formal de dispensa é declarado mentalmente são e como tal é-lhe negada a dispensa. Com o recurso à sátira, ao humor negro, e aparentando uma lógica irrefutável, o livro argumenta que a guerra é uma loucura, que os militares são loucos e, muito provavelmente, que a vida moderna é também uma loucura.

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    Carla Silva picture
    Carla Silva28/01/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Inteligência numa prosa irada

    Um livro que não é perfeito pode ser uma obra-prima? Acho que não. Mas seus grandes momentos, suas qualidades - que são muitas - o fazem chegar perto. Vamos lá: "Ardil-22" tem uma prosa irada (a definição que me ocorreu lá pela página 150), onde humor negro e non sense se mesclam; o ritmo consegue ser nervoso (irado, torno a dizer) a maior parte do tempo, estilo emaranhado com pontos-de-vista se alternando e assim amarrando as histórias pessoais de vários personagens: Yossarian, o Capelão, o Coronel Cathcart, o Major Major, Nately, Milo e outros. Há uma inteligência por trás de tudo, percebe-se - e nos maravilha. Pelo menos a mim maravilhou ir notando o virtuosismo de Heller, que só às vezes falha no seu instinto demolidor (como, por exemplo, ao fazer graça com personagens muito sofridos e que nos são simpáticos; não funciona: quando uma figura se torna quase um amigo do leitor não dá pra achar engraçado as cenas em que é torturado psicologicamente por outros personagens). Na maioria dos casos, porém, ele acerta: rimos, e nos indignamos; rimos, e desprezamos militarismo, belicismo, americanismo burro; rimos - e ficamos cativados por figuras como Yossarian, que se faz porta-voz do leitor: muito do que ele passa é nossa dor, muito do que faz quereríamos fazer, muitas de suas tentações também são as nossas. Sua coragem assustada também é a nossa. Por que dizemos que um livro não tem razão para ter sido escrito? Quando não nos emociona; quando não nos faz rir; quando não apresenta personagens tão vívidos que possamos crer neles; quando não nos leva à reflexão; quando não nos delicia com uma linguagem bela, ou um estilo elaborado. "Ardil-22" responde com um fragoroso "SIM" a quase todos os quesitos - exceção à linguagem, que não chamaria de bela. Mas ele emociona, faz rir, pensar, ser amiga de seus personagens (alguns... outros odiamos com força, com asco), deleitar-nos com o estilo. Um romance e tanto. Um romance que só por pouco não é uma obra-prima. Mas é genial ainda assim. A destacar o final - magnífico, merece um 10.

    42 curtidas

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