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    Os usos da terra no Brasil - Debates sobre políticas fundiárias

    Clifford Andrew Welch

    Cultura Acadêmica
    2014
    109 páginas
    3h 38m
    ISBN-13: 9788579835216
    Português Brasileiro
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    Este livro foi escrito para as pessoas interessadas em conhecer o Brasil agrário de fato. A forte propaganda do agronegócio que se apresenta como modelo absoluto ignora ou descaracteriza o outro modelo agrícola, formado pelo trabalho familiar, de produção em pequena escala e responsável pela segurança alimentar de nosso país. Esses modelos não se coadunam. Em nossas investigações analisamos as disputas entre esses dois modelos de desenvolvimento da agricultura através do debate paradigmático para compreender suas conflitualidades. O leitor perceberá que contestamos a visão linear do paradigma do capitalismo agrário que simplifica a leitura da realidade do campo, tentando incluir todas as relações dentro do modelo denominado agronegócio. De fato, a agricultura é muito mais complexa que o agronegócio e só pode ser compreendida por meio dos antagonismos entre as classes sociais. A análise dos usos da terra é uma maneira de entender como frações do território agrícola são disputadas para a execução de diferentes modelos de desenvolvimento. Este trabalho revela os paradoxos dessas disputas de modelos e de territórios que geram permanentes tensões. Aqueles que garantem a segurança alimentar são os que dominam a menor fração do território, embora sejam os que geram mais postos de trabalho. Exploram‑se aqui as contradições dessa realidade, discorrendo também sobre os stakeholders que fazem parte desse processo. Cabe, porém, alertar aos leitores que não oferecemos soluções para a questão da conflitualidade, porque ela é da natureza do sistema. Os políticos partidários podem dizer que a questão agrária será solucionada, mas cientificamente é impossível afirmar que o capitalismo conseguirá superar as desigualdades e as destruições que ele gera. A destruição do campesinato é um processo em marcha, em progresso, portanto a luta pela terra e pela reforma agrária é um tema permanente, que pode ser abafado, mas não esgotado. E, no Brasil, foram os sem‑terra, principalmente, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que conduziram um processo de reterritorialização do campesinato ou recampesinização pelas ocupações de terra. Todavia, o fato da recriação não garante a autonomia; ao contrário, a subordinação tem sido o caminho que os assentados têm percorrido nesta longa marcha da resistência camponesa. Nas duas últimas décadas, o agronegócio se territorializou mais rapidamente tanto nas terras dos latifúndios, como nas terras dos camponeses ou na agricultura familiar. As mudanças na matriz energética ampliaram os processos de expansão das commodities, inclusive com o aumento da estrangeirização da terra, sendo um dos fatores que fez refluir a reforma agrária. Essas são algumas das questões tratadas neste livro, que propõe uma nova interpretação para que os leitores entendam a realidade agrária contemporânea à luz de um longo processo histórico.

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    Clifford Andrew Welch profile picture

    Clifford Andrew Welch

    Clifford Andrew Welch é professor doutor da História do Brasil Contemporâneo nos programas de graduação e pós-graduação do Departamento de História da Universidade Federal de São Paulo – UNIFES. Possui bacharelado em American Studies pela University of California em Santa Cruz (1979), mestrado em História pela University of Maryland em College Park (1985) e doutorado em História pela Duke University (1990). Desde 2009, atua como professor de História do Brasil Contemporâneo no Departamento de História da UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo - Escola de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas, em Guarulhos, É membro permanente e orientador de seu Programa de Pós-Graduação em História. Desde 2012, atua de vez em quando como professor visitante e diretor de teses do Doctorado em Estudios Sociales Agrarios do Centro de Estudios Avanzados da Universidad Nacional de Córdoba. Durante o ano 2014, realizou um Estágio Sênior da CAPES na Universidade de Califórnia - Santa Cruz. Na UNESP - Universidade Estadual Paulista - Campus de Presidente Prudente, trabalhou de 2003 a 2005 como Professor Visitante Estrangeiro da CAPES (PVE), professor colaborador (2007-2009) e foi credenciado no Programa de Pós-Graduação em Geografia, integrado como pesquisador do NERA - Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária e membro da Cátedra UNESCO em Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial. Foi PVE da CAPES também nos programas de pós-graduação em Ciências Sociais e História da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo de 2003 a 2005 e no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade de São Paulo em 2005. Suas principais publicações estão na área da História Social do Campo, com ênfase na História do Brasil Republicano, e pesquisas nos seguintes temas: História do Trabalho, História Agrária, História das Relações Internacionais, História dos Estados Unidos, História Oral, Movimentos Sociais no Campo, Campesinato, Desenvolvimento Territorial e Geografia Agrária. Seu foco principal é o papel e poder da ação humana (human agency) nos processos de transformação socioeconômica e política e na conquista de um estado democrático em todo de seus sentidos. Desde que defendeu sua tese em 1990, ministrou disciplinas de graduação e pós-graduação principalmente sobre a História da América, tais como a História da América Independente, História do Brasil, Relações internacionais, Escravidão comparada, Revolução comparada, Historiografia e Metodologia. Além de trabalhar como professor e pesquisador, atua como tradutor, consultor, parecerista e coordenador de projetos, como a organização do acervo documental do MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (NEAD) e de cooperação internacional (CAPES). Empregos antigos incluem trabalho como peão, estivador, marinheiro e carpinteiro. Foi professor doutor no Departamento de História da Grand Valley State University, no Estado de Michigan, nos EUA, de 1990 a 2009, com afastamentos autorizados para trabalhar no Brasil. É membro desde 1988 da Associação de Estudos da América Latina (LASA) e do Conselho Latino Americano de Ciências Sociais (CLASCO) desde 2005.

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