"Essa proliferação da violência, cujo lado exacerbado e repetitivo faz que o espectador se acostume a ela e que, de certo modo, nela veja mais uma espécie de estilo estético do que um reflexo naturalista da realidade, se destaca paradoxalmente sobre um fundo de declínio da violência coletiva em sociedades que já não passam pela experiência da guerra e em que os choques sociais não fazem mais vítimas sangrentas. É verdade que, ao mesmo tempo, não faltam massacres e guerras no globo, como não falta a violência dos indivíduos e das gangues, dos integrismos, das máfias internacionais. Não obstante, a orgia de imagens extremas exprime menos a violência do real social do que a lógica da economia cultural que leva os criativos a ir cada vez mais longe, cada vez com mais estrépito, para se impor no mercado, cativar um público de hiperconsumidores “blasés” que “já viram de tudo” e estão em busca de sensações e de emoções fortes. Na base da exacerbação das imagens extremas da violência se encontra antes a dinâmica do capitalismo artista do que as guerras e assassinatos sangrentos de que somos testemunhas." Sabrina Carpenter - Taste, não pude deixar de fazer esse paralelo. Muitas vezes o livro se mostra enfadonho e repetitivo no entanto conseguimos abstrair muitas informações e fazer diversas reflexões, principalmente sobre como a estética, no capitalismo contemporâneo, é uma poderosa ferramenta de marketing que molda nossos desejos e comportamentos. A obsolescência programada, presente em todos os setores, desde a moda rápida até os smartphones com atualizações constantes, alimenta um ciclo vicioso de consumo. A estetização da vida, presente em campanhas publicitárias que associam produtos a estilos de vida desejáveis, e em redes sociais que valorizam a imagem perfeita, cria um ambiente onde o novo é constantemente valorizado, impactando profundamente a cultura e a sociedade. Vamos finalizar como o livro finaliza: "É por isso que a sociedade transestética não deve ser nem incensada, nem demonizada: é preciso fazê-la evoluir no sentido do elevado e do melhor para conter a febre do “cada vez mais”. A hibridização hipermoderna da economia e da arte leva a não mais apostar tudo na “alta cultura”, que por muito tempo se apresentou como o viático supremo. É uma exigência transversal a da nossa época, e que não é outra senão o imperativo de qualidade aplicado às artes de massa, à vida cotidiana, e não apenas à “grande” cultura. Cresce em toda parte a exigência de qualidade, e é ela que deve ser promovida no que diz respeito tanto ao comercial como à vida. A modernidade venceu o desafio da quantidade, a hipermodernidade deve enfrentar o da qualidade na relação com as coisas, com a cultura, com o tempo vivido. A tarefa é imensa. Mas não impossível."