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    As incríveis aventuras de Kavalier e Clay -

    Michael Chabon

    Record
    2002
    672 páginas
    22h 24m
    ISBN-10: 8501061891
    Português Brasileiro
    4.2
    138 avaliações
    Leram207Lendo15Querem598Relendo0Abandonos12Resenhas9
    Favoritos44Desejados598Avaliaram138

    As incríveis aventuras de Kavalier e Clay conquistou público e crítica com uma receita simples e rara: trama e estilo impecáveis. O livro conta a história de Joseph Kavalier, um fã judeu de Houdini, que usa suas habilidades para escapar de Praga. Kavalier se esconde no caixão que leva os restos do Golem, legendário monstro de barro feito por um rabino, para Nova York. Lá, nosso herói se une ao primo Sammy Clay na busca por dinheiro e liberdade. Do talento para desenhar de Kavalier e da habilidade de Sammy para contar histórias nasce um novo personagem de quadrinhos: o sensacional Escapista (numa clara alusão a Houdini). O herói, e seu alter-ego - Tom Mayflower -, combate o crime e protege os oprimidos com a ajuda da bela Luna Moth, inspirada numa artista local chamada Rosa Luxemburgo, que desperta o interesse dos dois cartunistas. Tudo isso enquanto seus criadores se confrontam com seus próprios fantasmas. Kavalier e sua sede por poder e dinheiro, e Sammy e sua recém descoberta homossexualidade. O nome de Escapista tem aqui sua verdadeira razão. A religião, a sexualidade, o gênero e a raça podem ser potentes prisões e para escapar de suas barras é necessário, quase sempre, se expor. As incríveis aventuras de Kavalier e Clay é, também, um livro preocupado com temas sóbrios. Como os significados e mecanismos da assimilação cultural, a procura por identidade moral e emocional num mundo recheado pela indiferença e o papel da transformação desempenhada pela cultura de massa nos indivíduos.

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    Resenhas (9)Ver mais
    Vania Cristina Ribeiro picture
    Vania Cristina Ribeiro11/07/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Criatividade que enriquece o mundo e o torna mais tolerável

    Esse livro me envolveu totalmente. Fiquei empolgada como a muito tempo não ficava. Ele trouxe para a superfície um lado meu que estava enterrado fundo. Talvez porque os protagonistas tenham 17 e 18 anos no começo da história e, assim, a adolescente que vive em mim se identificou com eles. Talvez seja a ambientação de época, os temas trabalhados. Ou simplesmente porque a história é muito divertida. É um importante épico que retrata um período histórico estadunidense a partir do ponto de vista de pessoas palpáveis. Dessa forma ele dialoga diretamente com outras grandes leituras recentes que fiz como Vinhas da Ira, de Steinbeck, e Amada de Toni Morrisson. Bom, a história começa quando dois primos de origem judaica se conhecem em Nova York, no ano de 1939. O mais velho, Josef Kavalier, ou simplesmente Joe, acabou de fugir do leste europeu, onde vivia com os pais e o irmão caçula, e estudava Artes na universidade de Praga. O mais novo, Samuel Klayman, Sam, é nascido na América, filho de imigrantes, franzino, inteligente e antenado com o seu tempo. Naquele momento, o avanço do pensamento nazista na Europa estava acuando cada vez mais a comunidade judaica. O mundo estava entrando em guerra e Joe e sua família corriam perigo. Esse começo é cinematográfico, com cenas intensas e aventuras inesperadas. Os personagens secundários são excêntricos e únicos. A maior influência de Joe é um velho judeu lituano, seu professor de ilusionismo, chamado Bernard Kornblum. A especialidade dele é a fuga, método que o mágico Houdini usava alguns anos antes: ser amarrado, algemado, preso com cadeados, jogado, desse jeito, na água ou aprisionado numa caixa. E com segundos para se soltar e sobreviver. A maior influência de Sam é o seu pai ausente, que tinha sido artista do teatro de vaudeville. Um judeu de origem russa, baixo, forte e musculoso, conhecido no meio artístico como "Molécula Maravilha". Eu estou dando risada aqui sozinha só de lembrar dos primeiros capítulos enquanto escrevo... Sim gente, esse é o comecinho maluco do livro. Divertido e trágico na mesma medida. Trata-se de shows de mágica e de homens fortes do vaudeville, mas também de perseguição aos judeus, de uma guerra mundial e de diferentes perigos. Mas...é sobre isso? Não. Tem muito mais. A questão é que o encontro entre os dois primos vai gerar uma parceria extremamente criativa e produtiva. Eles vão começar a trabalhar com uma nova arte que estava surgindo naquele exato momento: as histórias em quadrinhos. O super herói que eles vão desenvolver juntos será O Ilusionista, um defensor da justiça e combatente do fascismo no mundo. O livro, então, vai nos mostrar o surgimento e os anos dourados dos gibis, suas influências, o mundo das artes e da cultura pop dos anos 40 e 50. Personagens criados pelo autor vão encontrar vários artistas reais: tem uma cena com Salvador Dali e sua esposa, outra com Orson Wells, e outra ainda com Stan Lee. Mas o foco é na época, no que as pessoas comuns faziam, assistiam ou liam naqueles anos de pequena recuperação da economia americana e crescentes conflitos mundiais. Com o desenvolvimento da história, Joe e Sam vão se tornando famosos e bem sucedidos. E cada vez mais reais, como se tivessem existido de verdade. Torcemos intensamente o tempo todo por eles. A narrativa de Chabon dessa forma, me lembra o trabalho de Taylor Jenkins Reed, com uma pesquisa aprofundada de época e personagens de sucesso e fama (Fiquei curiosa em saber se o escritor pode ter sido uma influência para Reed). No entanto, a escrita dele tem maior complexidade, o que tira até certo ponto sua fluidez, mas enriquece a narrativa. Sem falar que aqui trata-se de um calhamaço, um épico, uma história de formação de dois jovens e de um país. O livro tem muitas camadas: Trata de processos criativos, da exploração do artista na indústria cultural, do anti-semitismo, do holocausto, da segunda guerra mundial, de homofobia, da extrema direita em território americano e do conservadorismo na política e na sociedade. Trata, principalmente, de seres humanos, de relacionamentos, famílias e amizades. De parcerias, encontros e talentos capazes de enriquecer o mundo, tornando-o mais tolerável, mas que, na mesma medida, estão sujeitos à opressão e à violência. Um dos fatos históricos narrados é o caso do psiquiatra Fredric Wertham, que publicou um livro acusando os quadrinhos de serem péssima influência para as crianças, o que gerou perseguições, colaborou com o enfraquecimento da indústria e levou profissionais e artistas a serem humilhados em tribunais políticos. Embora seja, na maior parte do tempo, uma leitura leve e bem humorada, os dramas vividos pelos protagonistas são difíceis e reais, inclusive com cena de violência e abuso sexual, por isso, acredito que seja preciso estar minimamente preparado. Ah!, mais uma coisa: o livro traz capítulos de metalinguagem, onde vemos os personagens criados por Joe e Sam em suas aventuras, e isso é muito interessante. Infelizmente a edição brasileira está esgotada. Editoras, está na hora de consertar isso.

    39 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 138
    • 5 estrelas49%
    • 4 estrelas30%
    • 3 estrelas14%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas2%
    Michael Chabon profile picture

    Michael Chabon

    Nascido em Washington em 1963, graduou-se pela Universidade de Pittsburg e é mestre em escrita criativa na Universidade da Califórnia, em Irvine. Estreou na literatura com o romance Mysteries of Pittsburg (1988) e desde então publicou, entre outros, o livro de ensaios Maps and legends e os romances Garotos incríveis (transformado em filme em 2000), As incríveis aventuras de Kavalier e Clay (prêmio Pulitzer de 2001), Usina de sonhos e Gentlemen of the Road. É considerado um dos autores mais originais e talentosos da atual literatura norte-americana. É casado com a também escritora Ayelet Waldman.

    65 Livros
    32 Seguidores

    Michael Chabon