Um ótimo manual para a filosofia moderna e o que seguiu depois dela.
Tem a virtude de explorar os filósofos de modo que não finge ser imparcial e declara abertamente sua parcialidade. Isso é ótimo. O autor passa um tempo enorme mostrando os problemas aos quais os sistemas filosóficos se conduzem por si mesmos, só para mais tarde apontar como eles se tornam ainda mais complicados à luz das críticas que lhe foram dirigidas. No fim, os únicos filósofos que sobrevivem no livro foram aqueles não avaliados demoradamente por ele.
Confesso que demorei um tempão para ler alguns autores, não sei se porque os desgosto ou porque o texto foi se tornando enfadonho. Estou pensando em Kant e Hegel especificamente.
Contudo, há uma coisa interessantíssima que Scruton nos traz em sua análise, que é a perpetuação dos conceitos filosóficos no decorrer da história. Mesmo após o capítulo sobre esses dois filósofos, suas filosofias continuaram a ser expostas no livro dentro do pensamento de outros, como Sartre e os existencialistas. Do mesmo modo, o livro abre com Descartes e discute o francês de La Haye por praticamente todo o livro.
Em geral, parece que os filósofos são analisados com uma preocupação constante em se mostrar que não estão sobrepostos aos mundo por conta da importância que tenham tido historicamente. Nietzsche é importante, mas é apenas um filósofo. Marx é olhado mais como um cientista social (historiador, sociólogo, economista, o que for) do que como um filósofo. Particularmente, acho isso muito bom. Muitos livros perpetuam os mitos construídos em torno da figura e filosofia dos filósofos. Quando vemos Nietzsche como um pensador sujeito a críticas,
com incoerências, fica mais fácil olhar sua filosofia como um pensamento construído artificialmente e com labuta que como uma revelação derradeira do mundo, gravada nele como uma natureza. Muita gente vê essa coisa messiânica na filosofia; eu detesto.
Para iniciantes não sei bem se o livro cumpre o que pretende, no entanto, para quem já tem alguma leitura de filosofia, serve muito bem e ajuda a compreender o que rola na área a partir do rumo tomado a partir de Descartes.