Prazeres ilimitados

    Fernando Muniz

    Nova Fronteira
    2015
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-13: 9788520938591
    Português Brasileiro

    Prazeres ilimitados, de Fernando Muniz, é um livro que vai mexer com os seus sentidos. À primeira vista, suas páginas parecem um labirinto, cujo fio de Ariadne é o prazer. Aos poucos, e intensamente, o livro se transforma num oceano repleto de imagens: é montado bem perto de Atenas, mas por suas muitas esquinas passam desde os filósofos, os poetas e os mitos gregos antigos até pensadores contemporâneos. Homero, Platão, Aquiles, Afrodite, Diotima, Santo Agostinho, Susan Sontag, Michel Foucault, William Burroughs, Aldous Huxley, David Foster Wallace, William Blake e até uma inesperada Maysa, num diálogo surpreendente com Sócrates, aparecem em seus capítulos. Eles se estranham, se reconhecem e falam de compulsões, prazeres, volúpias, dores sagradas, flagelações, êxtases góticos, sadomasoquismo, eros, ética, orgasmo, pleonexia, anedonia. Uma polifonia de ideias, mitos quebrados e estilos — filosofia, mitologia, história, literatura, psicologia e antropologia — se juntam para analisar o lugar do prazer na vida humana e o que fizemos das lições deixadas pelos gregos. Parece difícil? Embarque nesta viagem e descubra que não. Fernando Muniz opta por uma linguagem fácil e instigante, apesar de profunda, dialogando não apenas com os leitores iniciados. Afinal, o prazer é para todos. Na jornada proposta por ele, para o deleite de muitos, será possível refazer o clichê segundo o qual o mundo atual é caracterizado por uma busca frenética pelo prazer, no qual nós, hedonistas extremados, conceberíamos a vida feliz como a obtenção do prazer a qualquer custo. Ainda se descobrirá como e por que o mundo perdeu o contato com o prazer como os gregos o conceberam muitos séculos atrás; se surpreenderá ao ver que o que a sociedade chama de prazer é, na verdade, compulsão e voracidade. Um prazer desconectado dos outros e do mundo — e que, portanto, não pode tornar a vida digna de ser vivida, como pensavam os gregos.

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    Christiane Depooter24/07/2021Resenhou um livro
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    Um livro muito interessante sobre o que seria o prazer. Ele faz um percurso histórico pela filosofia desde os gregos até os dias atuais sobre a forma como o prazer era visto. A visão grega, a visão do cristianismo, da modernidade até os dias atuais. O que o autor alega é que não sabemos mais o que é prazer. Tornou-se algo que supostamente é óbvio, sem que nos questionemos sobre do que realmente se trata, e acabamos chamando de prazer a compulsividade e a voracidade. Os gregos viam no prazer algo ético, algo que transformava a vida em algo belo e bom. Com o Cristianismo o prazer passa a ser algo a ser excluído e no lugar entra a dor. A dor é que purifica e transforma o homem em bom. Já na modernidade temos uma busca do prazer através dos psicodélicos, das drogas até chegarmos ao mundo atual com sua compulsão e falta de consciência levados como uma manada movida pela mídia, pela propaganda, e ao contrário do que acreditamos não fazemos escolhas, elas já estão feitas, apenas nos iludimos que temos livre arbítrio. Ele levanta a questão da submissão voluntária como uma das principais questões do mundo atual. Há uma comparação entre uma igreja gótica e um shopping center que é muito interessante. O jogo de luzes, o labirinto, a parada do tempo e limitação do espaço, e como tudo isto funciona em nosso inconsciente. Apenas uma ressalva, quando ele fala da psicanálise e se baseia apenas em um momento de Freud com o uso da cocaína que depois ele abandonou. Primeiro que isto foi uma fase, e a outra crítica que faço é que ele generaliza a psicanálise para Freud. Isto seria o mesmo que generalizar a filosofia para Platão. E a visão que a psicanálise tem sobre a questão do prazer é muito mais ampla do que sugere o livro.

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