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    A Máquina Diferencial -

    William Gibson, Bruce Sterling

    Aleph
    2015
    456 páginas
    15h 12m
    ISBN-13: 9788576572145
    Português Brasileiro
    3.4
    242 avaliações
    Leram328Lendo57Querem896Relendo1Abandonos47Resenhas16
    Favoritos9Desejados896Avaliaram242

    Em uma versão alternativa da Inglaterra vitoriana, a ascensão do Partido Radical trouxe mudanças impressionantes. Pelas ruas da capital, cartolas e crinolinas misturam-se a cinétropos, gurneys e cabriolés. O trem metropolitano e o sistema de esgotos revolucionam a rede urbana. Tudo graças às conquistas científicas alcançadas pela Máquina: no auge da Revolução Industrial, os avanços promovidos pela tecnologia a vapor anunciam a era da informática. Com um século de antecedência. Mas Londres também é uma cidade em convulsão. O alvoroço causado pela turba desordeira assusta a população. Além disso, uma conspiração mais sofisticada – porém não menos perigosa – parece ameaçar a segurança e a estabilidade de todo o país. Enquanto isso, uma misteriosa caixa com cartões perfurados é objeto de cobiça e disputa, pois guarda um segredo estratégico, ligado a interesses nebulosos. Acidentalmente ou não, ela cai nas mãos de diferentes personagens, mudando suas vidas: Sybil Gerard, ex-amante de um político influente e filha de um insurreto executado; Ada Byron, filha de Lorde Byron, então primeiro-ministro da Inglaterra; e Edward Mallory, um respeitado cientista, descobridor do famoso Leviatã Terrestre.

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    Resenhas (16)Ver mais
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa31/01/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O pai dos steampunks

    "The Difference Engine" (A Máquina Diferencial), de 1990, foi a primeira grande obra da ficção steampunk. Neste romance, Gibson e Sterling imaginaram uma história alternativa do século XIX. O pivô da mudança é Charles Babbage, matemático e inventor que, na vida real, a partir dos anos 1820 tentou construir a verdadeira “máquina diferencial”, uma complexa calculadora mecânica, programável como um computador e dotada de impressora. Babbage nunca conseguiu os recursos de que precisava para transformar seus desenhos em realidade, mas em 1989, uma equipe do Museu de Ciência de Londres montou sua máquina e mostrou que ela funcionava perfeitamente. O que, naturalmente, sugere a pergunta: o que teria acontecido se Babbage tivesse concretizado seu sonho e os computadores começassem a mudar a tecnologia e a sociedade mais de um século antes de terem aparecido na história real? No mundo imaginado por Gibson e Sterling, a aceleração da mudança tecnológica que resulta da combinação da máquina a vapor com a máquina diferencial teria resultado em uma revolução comandada por Lorde Byron e na instauração de um regime tecnocrático liderado por cientistas, industriais e sindicatos operários. Essa revolução concretiza e inverte ironicamente "Sybil, ou as Duas Nações", romance sobre conflito e conciliação de classes que foi escrito, na história real, por Benjamin Disraeli, mais tarde primeiro-ministro favorito da rainha Vitória e um de seus lordes. No mundo alternativo, Disraeli não passou de escritor popular, enquanto George Byron, na vida real um grande poeta do romantismo inglês, torna-se líder político e o chefe do governo britânico. No romance de Disraeli, reformas políticas traziam a paz social, simbolizada pelo casamento da jovem operária Sybil, filha de um agitador trabalhista, com o aristocrata Charles Egremont. Na releitura mais realista de Gibson e Sterling, Sybil é seduzida e abandonada por Egremont e torna-se uma prostituta. Enquanto isso, devido a seu desenvolvimento tecnológico acelerado, o Império Britânico torna-se muito mais poderoso e incentiva a guerra civil dos EUA e sua fragmentação, enquanto o uso das máquinas de Babbage se generaliza a ponto de que cavalheiros vitorianos fazem compras com cartões de crédito, artistas projetam animações pixeladas nas telas de teatros e os governos de Lord Byron e Napoleão III podem registrar e controlar seus cidadãos por meio de cartões perfurados processados por máquinas imensas. O lado distópico vem à tona com o “Fedor”, um episódio de inversão térmica e insuportável poluição em Londres. A cidade é parcialmente evacuada e cai em um estado caótico, durante o qual grupos revolucionários tentam tomar o poder, emulando a Comuna socialista e feminista que o Karl Marx dessa realidade alternativa liderava em Manhattan. Mesmo assim, os protagonistas comportam-se com a dignidade e a arrogância esperada de heróis vitorianos, convictos da superioridade de sua classe, sua nação, sua raça e seu sexo. A ousadia de Gibson e Sterling - os dois maiores astros da ficção cyberpunk - de antecipar para o século XIX os perigos e possibilidades da cibernética consolidou o apelido steampunk. Por analogia, especulações sobre desenvolvimentos alternativos da história e sociedade em outras etapas da tecnologia e da história têm recebido alcunhas semelhantes, embora igualmente nada tenham a ver com o movimento punk: clockpunk, dieselpunk etc.

    24 curtidas

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    • 2 estrelas18%
    • 1 estrelas5%
    William Ford Gibson profile picture

    William Ford Gibson

    William Ford Gibson (Conway, South Carolina, 17 de Março de 1948) é um escritor norte-americano. É um dos fundadores do chamado gênero Cyberpunk, junto com Bruce Sterling e John Shirley, escreveu entre outras obras Neuromancer e Reconhecimento de Padrões (Pattern Recognition). <br><br> É também roteirista, tendo escrito o roteiro do filme Alien 3 e dois episódios da série de televisão Arquivo X. <br><br> Gibson é o inventor do termo ciberespaço (cyberspace), utilizado primeiramente em sua novela Burning Chrome, de 1982. A utilização do conceito e sua ampliação foi realizada no romance Neuromancer e nos outros dois romances da Trilogia do Sprawl (Count Zero e Monalisa Overdrive). Os conceitos e idéias de Gibson influenciaram diretamente a trilogia cinematográfica Matrix, de autoria dos Irmãos Wachowski. <br><br> Gibson é também fundador de outro subgênero da ficção científica, o steampunk, cujas histórias descrevem realidades alternativas a partir de tecnologias do século XX (por exemplo, computadores) que teriam sido desenvolvidas no século XIX. Assim, um computador vitoriano, como descrito por Gibson e Bruce Sterling no romance The Difference Engine, seria movido a vapor.

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    368 Seguidores
    South Carolina, Estados Unidos

    William Ford Gibson