As estruturas psicológicas de mulheres e homens na sociedade patriarcal
A obra está dividida em três partes. Nas duas primeiras a autora descreve como o patriarcado contribui para a formação das estruturas psíquicas masculinas e femininas. “[...] nós, seres humanos, só temos uns aos outros. Nossos problemas parecem vir da tentativa de dividir a humanidade de forma que forçamos os homens a centrarem-se em si mesmos e as mulheres a centrarem-se no ‘outro’. Em consequência desta divisão, ambos os grupos sofrem, só que de formas diferentes. A divisão em si pode parecer simples e óbvia, mas tem como resultado várias complicações psicológicas.” (p.97) As características atribuídas e esperadas das mulheres são as menos valorizadas e ao mesmo tempo são essenciais para a sociedade. Desde muito cedo a psique das mulheres vai se formando de forma subordinada ao outro, a mulher sempre está em posição de servir às necessidades do outro, o homem (os irmãos, o pai, o marido, os filhos e os doentes). Isto dá às mulheres a habilidade de observar, escutar, analisar e resolver os problemas do outro, porém, com esse desenvolvimento psicossocial focado excessivamente em servir, as mulheres não conseguem alcançar a satisfação por este seu trabalho (a servidão) porque ele nega a ela o lugar de sujeito com suas próprias necessidades e desejos, para lhe enclausurar na posição de objeto de satisfação do desejo do outro. Essa frustração, nem sempre consciente, acarreta não só em adoecimento mental, o que dificulta ainda mais o desenvolvimento no sentido de assujeitar-se, como também causa conflitos na relação com o outro e acaba por comprometer a relação, perpetuando a hierarquia de dominação e subordinação. A psique masculina vai sendo estruturada com a supressão do servir (e cuidar) e com a ênfase na agressividade. Isso permite ao homem se concentrar em seus desejos e desenvolvimento pessoal, já que suas necessidades estão sempre sendo atendidas por uma mulher. No entanto, para a satisfação completa do sujeito, é preciso a conexão com o outro e o desenvolvimento psicossocial que só a cooperação oferece. Essa frustração, nem sempre consciente, pode gerar mais agressividade o que causa não só adoecimento mental, como também atos violentos na relação com o outro, o que acaba, novamente, perpetuando a hierarquia patriarcal, se distanciando da cooperação. É importante lembrar que os atos masculinos violentos não ocorrem apenas na esfera privada, as guerras são o exemplo mais extremo. A terceira parte do livro trata dos conflitos causados por esse desenvolvimento parcial da estrutura psíquica tanto dos homens como das mulheres e de como a estrutura social dificulta o desenvolvimento integral do ser e por consequência a superação dessa sociedade. Fala das neuroses, do masoquismo, da rivalidade entre mulheres, da dificuldade de relacionamento entre mãe e filha. Por fim, conclui que na sociedade atual, as mulheres têm mais condições de incitar a transformação social, visto que por conta da socialização, possuem mais conhecimento e habilidades de estabelecer relações cooperativas.
