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    Dom Pedro I (Perfis Brasileiros) - Um herói sem nenhum caráter

    Isabel Lustosa

    Companhia das Letras
    2007
    340 páginas
    11h 20m
    ISBN-13: 9788535908077
    Português Brasileiro
    4.1
    116 avaliações
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    Favoritos8Desejados192Avaliaram116

    O ângulo escolhido por Isabel Lustosa para analisar D. Pedro I foi o do herói macunaímico - aquele sem nenhum caráter. De personalidade turbulenta, mal-educado e chucro, Pedro de Bragança e Bourbon tinha tudo para ser um péssimo governante. Em certo sentido o foi: dizendo-se liberal, exerceu o poder de maneira autocrática, dissolveu a Constituinte que ele mesmo convocou, humilhava os aliados e amigos, quando no Brasil se cercou de uma corja de dar medo, e admitia abertamente a corrupção. Tanto que, ao abandonar o Rio de Janeiro, já no navio que o levaria à Europa, retrucou as queixas do marquês de Paranaguá, seu ministro, de que não tinha como se sustentar, com o exemplo de outro ministro: "Por que não roubou como Barbacena? Estaria bem agora".

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    João Guilherme Soares Viana05/04/2012Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    D. Pedro I: Um Herói sem Nenhum Caráter - Isabel Lustosa

    O Brasil, por vários motivos veio a ser uma colônia bem diferente de qualquer outra, principalmente por se tornar a partir do ano de 1808 se tornar a sede da metrópole, algo inédito na História. Mudanças significativas aconteceriam na paisagem e nos costumes do Brasil, assim como também influenciariam nos costumes da própria Corte, posso citar o fato de D. João VI que em Portugal era um homem mais acostumado a viver dentro dos castelos, aqui passa a fazer excursões pelo campo. Quando em 1821 decidem voltar para Portugal devido à pressão exercida pela Revolução do Porto de 1820, tem início no ano de 1822 o período da regência de D. Pedro I que se estenderia até o ano de 1831. D. Pedro I conseguiu durante boa parte de sua regência equilibrar as coisas no Brasil para que se mantivesse no poder, ao mesmo tempo em que se considerava liberal era conservador. Rebatia todas as pessoas que criticavam seu governo através de artigos que escrevia nos jornais sob diversos pseudônimos, sacrificou os amigos quando considerou necessário. Era um homem que não se contentava apenas com a vida que tinha dentro do casamento, e é por isso que entra em sua vida, Domitila de Castro, conhecida como a Marquesa de Santos. Esse relacionamento foi de grande desaprovação por parte do povo que adorava D. Leopoldina. Domitila foi alvo do repúdio da população brasileira, que deixava os locais em que ela estivesse, sua casa foi apedrejada e também foi impedida diversas vezes de adentrar alguns recintos. O governo dele foi marcado pela primeira constituição do Brasil, a Carta Outorgada de 1824. Era de todas as formas um governante atípico: gostava de conversar com o seu povo, não era muito respeitador dos protocolos, e desde a infância seus modos foram comparados aos de “um garoto de estrebaria”, não se assemelhando aos modos de um garoto proveniente de uma Família Real. Retorna à Portugal no ano de 1831, devido principalmente ao perigo de perder definitivamente o trono português para seu irmão D. Miguel que chegou ao trono através de um golpe que o declarou rei absoluto de Portugal, quando na verdade isso deveria ter acontecido em caráter temporário, até que a filha de D. Pedro I, a Maria da Glória tivesse idade suficiente para assumir o trono. A guerra para a reconquista do trono dura dois anos, e consome as forças de D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal), entretanto obtém êxito na derrota de D. Miguel, mas acaba morrendo no ano de 1834. O livro é muito bom, e descreve de forma muito detalhada todo o período da regência de D. Pedro I. Muito recomendado.

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    Isabel Idelzuite Lustosa da Costa

    Historiadora, ensaísta, escritora e pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa conhecida por seus estudos sobre a história da imprensa no Brasil.

    14 Livros
    8 Seguidores
    Ceará, Brasil

    Isabel Idelzuite Lustosa da Costa