A Darker Shade of Magic traz a proposta de uma Londres dimensional, em que as cidades são definidas pela quantidade de magia que comportam. Exatamente, plural, porque elas não são simples facetas ou superposições... elas são cidades diferentes que se desenvolveram de formas diferentes.
A magia nesse mundo é quase uma incógnita... cada Londres tem sua própria visão do que é magia e como interagir com ela. Assim, alguns tem uma visão quase mítica, enquanto outros encaram como uma ferramenta ou como entidade.
E esse é o tema do livro. Como lidar com uma "lei" que pode ou não ser consciente e como ela poderia interferir com a história do mundo? Porém não pense que esse livro puxa para a filosofia.
O fio narrativo é conduzido por Kell, um mago poderoso que é capaz de migrar entre as dimensões. Ele parece ter sido levemente inspirados em John Constantine, um mago londrino das hqs que é malandro, responsável, curioso e amargo. Essa talvez seja a minha única crítica ao sua construção, Kell apresenta um comportamento mais típico de um homem dos seus trinta anos do que de um rapaz de vinte.
Lila Bard é a personagem feminina, mas hesito em chamá-la de suporte. Ela tem muita personalidade e age com uma independência atípica em livros com protagonista masculino. Algo que pode chamar a atenção é o fato de que Lila se veste como homem para poder atuar em uma sociedade masculinizada; clara referência a personalidades como George Sand (Amantine Dupin) e Grace O'Malley (pirata do século XVI).
O livro é tão rico em construção e referências que fica difícil escolher do que falar exatamente.
Minha crítica fica em sua definição como Afrofuturista. Não há nenhuma discussão sobre questões sócio-raciais no livro; a presença de uma família real negra não é o suficiente para que ele seja definido como parte do gênero. Talvez isso seja corrigido na sequência.