Língua e Realidade -

    Vilém Flusser

    Imprensa da Universidade de Coimbra
    2012
    282 páginas
    9h 24m
    ISBN-13: 9789892602509
    Português Brasileiro

    Língua e realidade é um dos mais instigantes ensaios escritos em língua portuguesa e, ao mesmo tempo, um dos primeiros livros filosóficos de abordagem moderna da linguagem. Vilém Flusser junta a teoria linguística de Ludwig Wittgenstein com a fenomenologia de Edmund Husserl para criar o seu próprio método de análise fenomenológica da linguagem, que lhe permite captar a língua como um elemento vivo, capaz de transformar o caos dos dados imediatos no cosmos das palavras preenchidas de sentido. No entanto, a obra não é estritamente científica, como pode parecer à primeira vista. De forma sofisticada, estrutura-se em várias camada, como a poética ou a ficcional, todas emaranhadas por uma leveza lúdica. Flusser mostra-se, assim, não só um grande pensador, mas também escritor excelente, capaz de criar uma obra plástica, poética e provocativa, o que torna Língua e realidade atraente e acessível a um vasto público de leitores.

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    Ricardo Cunha12/02/2020Resenhou um livro
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    Se a língua cria a realidade e a poesia cria a língua, quem cria a poesia?

    Nota: 10. Vilém Flusser nasceu numa família judia em 1920 na cidade de Praga/Tchecoeslováquia (atualmente, República Checa). Era apenas um jovem universitário quando os alemães invadiram sua cidade natal. Assim, por ocasião da chegada de Hitler à cidade de Praga, Flusser e sua amiga Edith Barth tiveram que deixar seu país às pressas partindo para a Inglaterra. Posteriormente, quando Paris caiu e antecipando-se a invasão iminente da Inglaterra, decidiu vir para o Brasil, onde chegaram em 1940. Mais tarde casaram-se, tiveram filhos e adotaram o país como sua nova terra natal. Língua e Realidade foi originalmente escrito em 1963 e não antes reeditado até 2004. Trata-se do primeiro livro desse pensador e constitui-se numa obra ímpar. Nunca antes e nem depois se discutiu uma filosofia da língua como neste trabalho, baseado não apenas na informação de um erudito como também na vivência de um poliglota exilado. Escrito em português por um filósofo tcheco que usualmente escrevia em alemão. A partir da sua experiência no Brasil, Flusser sentiu-se incorporando o português como uma terceira língua materna. Vivendo no Brasil e “ganhando a vida como escritor, descobriu o poder da tradução como recurso de apropriação da língua nativa. Em carta à pintora Mira Schendel, Flusser explica porque sistematicamente traduzia a si mesmo. Escrevia tudo primeiramente em alemão, que é a língua que mais pulsa no seu peito. Depois, traduzia para o português, que é a língua que mais articula a realidade social na qual esteve engajado. Traduzia, ainda, para o inglês, que segundo ele, é a língua que dispõe de maior riqueza de repertório e forma. Por fim, traduzia para a língua em que o escrito seria publicado. Dessa forma, penetrando nas estruturas das várias línguas, chegava a um núcleo geral e despersonalizado, através do qual articulava a(s) realidade(s) com maior liberdade e propriedade. Esta pequena obra-prima, além de evocar as questões fundamentais do pensamento ocidental como as categorias de Aristóteles segundo as infinitas línguas existentes no mundo, também trata de questões primárias da filosofia, como aquela que persegue os filósofos desde Platão: se o mundo pode ser pensado, pensar sobre o pensamento, pode revelar elementos da estrutura do mundo? Bem, meu objetivo aqui não é responder a estas e as outras questões que certamente surgirão, mas de instigar em você, amante da leitura, o desejo de ler e de adentrar no universo apaixonante que Vilém Flusser criou neste livro. ---

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