Deviant é um livro mediano, do tipo "ni fu ni fa". Sabe o bonitinho que é um feio arrumadinho? Pois é. Mas não é que a história seja medonha de revolver as entranhas; ela é interessante e pode agradar muita gente. O problema é que não me pegou de jeito.
Achei os motivos da tal vingança mal resolvidos. Se Dean (o tal estranho e mocinho) tivesse apenas conversado com Tyler por 10 segundos, tanto drama seria evitado. E o final? Precisava de ela ser tão drástica e forjar aquilo tudo? Só dar uns esculachos bem dados em Dean não funcionaria? O que aconteceu com o diálogo?
É por isso que o mundo tá essa merda.
Mas fora isso, Deviant é até bonzinho porque envolve uma suposta traição que gerou uma consequente vingança e isso te instiga a curiosidade sobre o que vem a seguir, já que muito dessa história é improvável ou pouco convencional. Quer exemplos? Enumero.
1) a mocinha acha natural e engraçado um estranho vagar livremente pela sua casa e trocar as coisas de lugar, o carro da vaga ou a observar dormindo. Será que ela nunca assistiu Atividade paranormal, porra?
2) a mocinha inicia uma turbulenta vida sexual com o estranho que envolve tabefe pra cá e pra lá, preenchimento dos variados orifícios corporais, frases originais como “me fode duro” em tons vociferantes e, claro, como poderia me esquecer, copulação (in)discreta no meio de uma pista de dança que termina com ela de quatro num depósito fedorento e sujo.
3) DR, cobrança, chororô dela para o estranho. Será que não ficou claro que aquilo não era uma relação? O depósito fedorento já não foi uma pista clara?
4) o estranho começa a mandar na vida da mocinha. Ficou de papo com algum cara? Porrada. Sumiu de casa por uns dias? Porrada. Respirou? Porrada. E ela aceita tudo, pra manutenção do seu cio perpétuo, já que o pinto do cara é tão foda que só fica atrás da descoberta do fogo e da eletricidade.
Bem, sobre esse negócio da mocinha transar com um desconhecido, prometi que ia abstrair e relevar porque fetiche alheio não se discute, só se lamenta. Ou se debocha.
Mas achei que algumas partes foram meio apelativas. Meio, não... bem apelativas.
E que bizarrice foi aquela da mocinha, quando criança, ter arrepios quando Dean se aproximava? Achei a autora muito infeliz nessa parte. Quis mostrar que os dois já se amavam desde a infância, mas descreveu sentimentos e sensações de adulto nos dois, em alguns momentos. Isso aí não me desceu.
E a história não acaba aqui porque em Redemption – livro 2 – a peleja entre Dean e Tyler continua. Provavelmente eu vá encarar, mas só de pensar em me deparar com “me fode duro” incontáveis vezes, ou pseudocrises da mocinha acompanhada da recorrente frase como “o que há de errado comigo?” ou conclusões de Dean de que a Tyler não passa de um voodoo sexy, eu desanimo.
Bem, vamos ver. Tudo depende de meu humor que, ultimamente, está mais pra lá que pra cá.
Recomendo?
Pra quem gosta de algo diferente, até que vai.
;)