Memórias de Branca Dias - Com uma existência entre a História e a Lenda, considerada uma das matriarcas do Pernambuco, Branca Dias é, no século XVI, no Brasil, a primeira mulher portuguesa a praticar «esnoga», a primeira «mestra laica» de meninas e uma das primeiras «senhoras de engenho». Oriunda de Viana do Castelo, denunciada pela mãe e pela irmã e presa pela Inquisição nos Estaus, em Lisboa, Branca Dias embarca para o Brasil com sete filhos, juntando-se ao marido, Diogo Fernandes, vivendo ambos entre Camaragibe e Olinda, onde lhe nascem mais
memória sde branca dias -
miguel real
Pessoal
Memórias de Branca Dias - Miguel Real (Realçar: 33; Nota: 46) ─────────────── ◆ Chegada ao Brasil ▪ Chegada ao Brasil (A Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia tinha 60 léguas de costa no Brasil e abrangia os territórios dos atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas, a porção ocidental da Bahia, possuindo, deste modo, fronteira ao sul/sudoeste com Minas Gerais (o extremo noroeste de Minas era a parte final da comarca do São Francisco: a capitania/província de Pernambuco avançava um pouco mais adentro do território norte/noroeste-mineiro do que a Bahia). NOTA: O nome Pernambuco vem de paranambuca que significa pedra furada em tupi, usada pelos índios quando se referiam a abertura meridional da barra do Capibaribe.) ▪ Beatriz aos gritos, apavorada, os outros seis agarrados a mim ▪ marosca (manobra ardilosa; trapaça, tramoia) ▪ cômoros (pequena elevação de terreno) ▪ Santa Inquisição, dizia ele, santa 🤬 #$%!& , se aquilo é santo! ▪ , e aqui foi a desgraça toda, a Madalena Gonçalves, cristã-velha, a criadota de minha mãe que encobrira o Diogo nas autorizações de partida para o Brasil ▪ Pedro Alvares da Madeira (Senhor de engenho. Chegou a Pernambuco antes de 1550.) ▪ São José, o santo cornudo, não só o fizeram de pai fingido do Nazareno ▪ tresandavam ◆ Mãe e irmã ▪ marranos (judeus que foram obrigados a se converter ao cristianismo, mas que continuaram a praticar o judaísmo em segredo.) ▪ Davam-nos couves cozidas com feijão brasílico e abóbora, o feijão explodia nos nossos cus como bombardas, eu passava a noite a vomitar o que comera durante o dia, ▪ Estaus (O Palácio dos Estaus, também referido como Paço dos Estaus ou Palácio da Inquisição, com as suas torres de três andares, localizava-se no topo norte da Praça do Rossio, no centro histórico de Lisboa, em Portugal. Em seu lugar ergue-se, desde o século XIX, o Teatro Nacional D. Maria II.) ▪ Adonai (entre os hebreus, um dos nomes de Deus no Velho Testamento, designando-o a partir de seu atributo de senhor) ▪ arrepanhava (apanhar ou arrancar num ímpeto.) ▪ agafanhava (agarrar, pegar num golpe ousado; agadanhar, furtar.) ▪ pómulos (maçã do rosto) ▪ marçarias ▪ polé ▪ engolia logo a hóstia mal o padre ma servia, só não a trincava porque os outros perceberiam, se não era logo uma trincadela, que só burros é que podem acreditar que o Messias está ali em corpo, ▪ sambenito (O sambenito era uma peça de vestuário utilizada originalmente pelos penitentes católicos para mostrar público arrependimento por seus pecados, e mais tarde pelas Inquisição espanhola e Portuguesa para assinalar aos condenados pelo tribunal, pelo que se converteu em símbolo da infâmia.) ◆ Morte do Diogo ▪ borralho (cinza quente com algumas brasas vivas; borralha) ▪ Yahvé (é o nome hebraico do Deus bíblico do antigo Reino de Israel. Ele foi o deus nacional dos reinos de Israel e Judá.) ▪ Aboab (Isaac Aboab da Fonseca (1605-1693) foi um rabino, intelectual e escritor sefardita português. Foi o primeiro rabino das Américas e autor do primeiro texto literário em hebraico no continente. Vida de Isaac Aboab da Fonseca Nasceu em Castro Daire, em 1605 Morreu em Amesterdão, em 1693 Foi um dos líderes religiosos que excomungou o filósofo Baruch Spinoza em 1656 Participou da construção da Grande Sinagoga Portuguesa de Amsterdã Foi também Mohel, responsável pela circuncisão de meninos judeus Ensinou Hebraico, Torah e Talmud para iniciantes Autor do primeiro texto literário em hebraico das Américas, "mi camocha" Contexto histórico A família de Isaac Aboab da Fonseca sofreu por três gerações da Inquisição Em 1641, os holandeses mudaram-se para Recife, uma colônia no Brasil que eles haviam tomado dos portugueses Os judeus de Amsterdã enviaram Isaac Aboab para liderar a primeira sinagoga do Novo Mundo) ▪ salmodiar (cantar ou recitar salmos sem alterar a inflexão de voz, com pausas marcadas. "os monges beneditinos gostam de s.") ▪ ciciante ▪ bubão (ou tumor da pele; bouba) ▪ azémola (besta de carga. 2. cavalo velho e sem préstimo.) ▪ Manuel Afonso é que. ▪ mantelete (veste) ▪ escorralhas ▪ enxúndias (gordura animal) ▪ malsão (de saúde precária; que não se curou de todo, em mau estado. "dentes m." 2. nocivo à saúde; insalubre, doentio.) ▪ A Beatriz, uma doidinha e corcunda, e o Manuel Afonso, sem braços, deram-me muito trabalho, ◆ Trabalhos do Diogo ▪ festa do Purim (Purim é uma festa judaica que comemora a salvação dos judeus persas do plano de Hamã, para exterminá-los, no antigo Império Aquemênida tal como está escrito no Livro de Ester, um dos livros do Tanach.) ▪ Fernão Cabral de Taíde atirou uma índia para as fornalhas do engenho dele, viva, vivíssima, um cristão-velho, um bode velho, e parece que a índia estava grávida dele, foi uma morte horrorosa; os escravos contaram que a barriga rebentou com o fogo e viram-se os bracinhos da criança a-dar-a-dar entre as chamas. Os tupinambás revoltaram-se, também o que haviam de fazer, a serem mais mal tratados que os cães e os judeus?, levantaram-se em guerra e devastaram os engenhos isolados, o nosso foi o segundo, teve de vir uma guarnição de São Salvador reforçar as defesas de Olinda, os portugueses do sertão foram quase todos chacinados, nós escapámos porque o caraíba dos tupinambás, apontando para o Diogo, disse, este tratou-nos sempre bem, e com a branca não sei se me chamava assim por ser o meu nome se pela cor da minha pele comemos da mesma cuia, disse ele, reparte com o tupinambá a abóbora cozida; e era verdade, éramos dois povos perseguidos pelos reinóis, eu só provia o futuro, é que se a Inquisição chegasse se calhar teríamos de partir para a mata, fugir dos nazarenos e só os tupinambás nos poderiam orientar na mata, íamos para a Paraíba, aí é tudo tão deserto de brancos que nem igreja lá existe, ▪ levantavam-se valas e paliçadas em torno de Olinda, ▪ Jerónimo Albuquerque (Originário de uma família muito nobre de Portugal, seus descendentes foram uma das origens da nobreza da terra no Brasil, principalmente no Nordeste. Durante o período colonial, suas linhagens se dividiam entre senhores de engenho, cardeais, administradores coloniais e militares. Durante o período imperial, essas linhagens foram ocupadas por aristocratas, latifundiários, médicos e políticos. Atualmente, no período republicano, seus descendentes ainda ocupam vários cargos políticos, literários, artísticos, entre outros.[) ▪ comerciantes reinóis (Comerciantes reinóis eram portugueses da Metrópole que atuavam no Brasil. A palavra "reinóis" significa "natural do reino". Contexto histórico Os comerciantes reinóis do Recife atuavam em conjunto com os senhores de terras e engenhos pernambucanos, que se concentravam em Olinda. Os tropeiros foram os comerciantes que mais atuaram no Brasil Colonial. Eles transportavam mercadorias para locais distantes e de difícil acesso. Os filhos de comerciantes eram a maioria dos naturais da terra.) ▪ Quando voltámos a Camaragibe eu nem queria acreditar, não tínhamos casa, as crateras das caldeiras estavam enegrecidas, os rodízios da moenda calcinados, as tachas de açúcar quebradas e as canas todas queimadas, a safra de um ano atirada ao ar e todo o trabalho do Diogo desde que chegara ao Brasil deitado fora. ▪ Foi o Duarte Coelho que nos ajudou de novo, grande governador este, não mais Pernambuco terá outro igual, queria ele lá saber se éramos judeus ou nazarenos, desde que se trabalhasse e cumprisse a lei, para ele toda a gente era portuguesa e Pernambuco a Nova Lusitânia, dizia ele. ◆ Casamento ▪ acartar (Transportar carga à cabeça, ao ombro, em mãos, etc. (ex.: acartar água; acartar lenha). = ACARRETAR, CARREGAR) ▪ acalmia (tempo sereno depois de chuva ou vento forte; estiagem. 2. intervalo de calma ou repouso que se segue a outro de agitação.) ▪ bragas (bragas eram calças ou pantalonas.) ▪ catrapiscar (Namorar ou mostrar interesse, piscando o olho.) ▪ marrana (Marrano são expressões hebraicas que designam os descendentes de judeus convertidos compulsoriamente a outras religiões, sobretudo cristianismo e islamismo.) ◆ Partida de dois filhos ▪ Pedro Álvares pôs-lhe urna gargantilha de ferro presa por uma corrente a uma árvore, o Arlindo só podia dar uns passos em volta, o suficiente para descascar a cana, uma semana depois a carne do pescoço gangrenava, fui eu que lhe cortei a pele e purifiquei a carne com azeite de dendê e palha de alho, e quando um rabo de carne gangrenava atirava-lhe com uma grazoada de sal que o cabinda Arlindo até escoiceava e gritava pela mãe, mas salvou-se, está ali com um pescoço lindo e sabe a quem o deve, as velhas pretas diziam que tinha sido Óxum que o salvara, mas ele sabia que fora eu mais o azeite, o alho e o sal, não há nada melhor para cicatrizar carnes rebeldes, há o limão, suco de limão também dá, mas eu não tinha limão, e tanto me custou a gastar o sal, tanta falta nos fez, mas o cabinda Arlindo merecia. ▪ O Pedro Álvares era assim, tratava os pretos como se não fossem homens, eu dizia-lhe, os pretos são escravos mas são homens, dizia eu, nada disso, dizia ele, preto é macaco, até os galileus dizem, dizia ele, e tu acreditas nos cristãos?, dizia eu, mas ele não respondia, convinha-lhe, a mentira quando convém aos homens passa a ser verdade, fora o que eu aprendera na vida. ◆ Terrores ▪ mas o que me desandou a cabeça e tem sido para mim uma lembrança fixa foi a descrição do casamento entre ciganos contada por um velho maneta, que arrebitava o coto de couro no ar como se levantasse a mão perdida, fazem uma grande festa, disse ele, com metade da cara iluminada pelo círio da Nossa Senhora da Agonia, uma grande festa no campo, aparelham no restolho um saco feito de estopa e a noiva deita-se, disse ele, deita-se de costas, apenas vestida com uma camisa, a ranchada toda à volta, disse ele, a martelar castanholas, a bater palmas e a dançar com aquelas pernadas atiradas para a frente, o noivo aproxima-se com um lenço branco de algodão enrolado na mão direita, disse ele, com o dedo indicador saliente ajoelha-se frente às pernas abertas da noiva e rompe-lhe o cabaço com o dedo, disse ele, mostrando depois o lenço a toda a ciganada, se vier manchado de sangue a festa prossegue entre gritos, canções e abraços, a noiva é abraçada por todos os homens adultos do bando, disse ele, e os dois são considerados casados, mas se o lenço vier branco como entrou, a noiva é estrangulada pelos pais do noivo, que se consideram desonrados, disse ele ◆ Vida em Camaragibe ▪ calcorreara ▪ enxúndias ▪ atilho ▪ Os embigos dos pretos não tinham valor nenhum, os marinheiros sabiam e pagavam-lhe meio-tostão furado, mas em Lisboa vendiam-nos como se fossem de branquinhos e os fidalgotes andavam com embigo seco de preto enrolado em lenço de cambraia no bolsilho, protegia das estocadas de espada e do chumbo das balas e dava sorte para ascender na corte, diziam. ◆ Esnoga ▪ cohen (sacerdote judeu) ▪ calceteiro (trabalhador que calça ruas e outros caminhos com pedras ou paralelepípedos, ou que reveste calçadas com as chamadas pedras portuguesas.) ▪ solha (é uma família de peixes actinopterígeos pertencentes à ordem Pleuronectiformes. As solhas, também chamadas aramaçás e linguados, são classificadas nesta família[2) ▪ shofar (instrumento musical de sopro, feito de chifre de carneiro, usado em cerimônias religiosas judaicas.) ◆ Partida de Camaragibe ▪ rio Gurjaú ▪ catrapiscar (Namorar ou mostrar interesse, piscando o olho) ▪ enfatiotado (vestido com elegância, distinção ou esmero.) ◆ Primeiro ano em Olinda ▪ malquistando ◆ Morte de Pedro Álvares da Madeira ▪ razia (ataque, aniquilamento invasão de território inimigo ou estrangeiro em incursão rápida para saque de rebanhos, cereais, pessoas. 2. malefícios, depredações, ruína contra valores materiais ou espirituais, praticados por grupo contra grupo ou coletividade.) ▪ mandubim (amendoim) ▪ gabarolas (gabola) ▪ caetés (é uma nação indígena de tronco linguístico língua tupi antiga e descendentes do grupo Tupinambá, que habitam o litoral do Brasil entre a ilha de Itamaracá e o rio São Francisco em Alagoas) ▪ Sacramento (minas) ▪ depelado ▪ enxúndias (gorduras) ▪ mistela (bebida feita com vinho, água, açúcar e canela. 2. amontoado de coisas diversas, misturadas; miscelânea, confusão.) ▪ Ambrósio Fernandes Brandão (Ambrósio Fernandes Brandão (Portugal, 1555 — 1618) foi um senhor de engenho e escritor português, que viveu no Brasil Colonial entre os séculos 16 e 17 e deixou a célebre obra Diálogos das grandezas do Brasil, na qual narra sua estada em terras brasileiras.[1] Cristão-novo perseguido pela Inquisição, Brandão estabeleceu-se na Paraíba, onde escreveu esses diálogos e onde também foi senhor de engenho, além de um dos feitores ou escrivães de Bento Dias Santiago de Pernambuco e Itamaracá.[2][3] Capistrano de Abreu, a quem se deve a comprovação da autoria da obra, deu relevo aos aspectos humanísticos e científicos da narrativa de Brandão) ▪ moquear ▪ , tinha sangue infecto, deve ser da carne de homem que comeu ▪ refegos (Dobradura ou prega) ◆ Nove anos em Olinda ▪ adolentado (adoentado) ▪ perdigotos ▪ Ambrósio Fernandes Brandão e o Bento Teixeira ▪ coitados dos cristãos-velhos, que nem sabiam ler quanto mais escrever, só lhes interessava contar, contar era o que interessava aos portugueses ▪ imaginou a rua dos Palhais (Palhares), em Olinda, onde Branca Dias habitou nos últimos dez anos de vida O Pedro Alvares da Madeira foi preso e amarrado com a corda ao pescoço e posto no meio do terreiro, disse a velha, e ali ficou na engorda, alimentado por uma jovem que lhe oferece tudo, mesmo tudo, era ela a responsável pelas enxúndias do Pedro, quanto mais gordo mais gostoso e mais ela era agraciada; até que levaram o Pedro Alvares para uma clareira, amarrado por uma corda estendida cujas pontas eram manobradas por dois guerreiros, a velha é que disse, obrigavam-no ora a rastejar, ora a levantar-se; acendem sempre uma fogueira, uma fogueira enorme, fumam erva-santa e bebem cauim, ficam bêbados, do fumo e da mistela, e deliram, deliram, apelam aos espíritos, incarnam os mortos, invocam os pais antigos, sempre a dançarem; o caraíba atirava folhas de fumo para a fogueira e os homens dançavam aspirando o fumo por uns canudos, até que chegou o guerreiro que prendeu o Pedro Álvares, ostentava um cocar de plumas vermelhas e amarelas, envergava o colar sagrado composto de dentes de inimigos que tinha matado, ele e o pai dele, brandia o tocape, a clava maciça que numa única batida esmigalha a cabeça do inimigo; as mulheres aproximaram-se do Pedro Álvares, disse a velha, e apreciaram o vigor dos músculos, a rigidez das carnes, traçavam com a unha a parte que cabia a cada uma, davam mordidelas nas costas e nas coxas do Pedro, experimentavam o sabor e a dureza da carne; não sei como o Ambrósio Fernandes Brandão é capaz de escrever que os índios são descendentes de uma das tribos perdidas de Israel, é impossível, eles não são melhores que animais, até me está a enojar; o guerreiro dirigiu-se para o Pedro e clamou o que eles sempre dizem, disse a velha, coitado do Pedro, ajuda-o nesse mundo, avó, «Não sabes tu, branco estranho, que tu e os teus roubaram a nossa terra e mataram muitos dos nossos pais? Vamos tirar a desforra e vingar essas mortes. Eu te matarei, nós te assaremos e te comeremos», disse ele. O Pedro Alvares devia estar aterrorizado, fixando os olhos no tocape, enquanto o guerreiro riscado dançava na clareira imitando o voo do gavião e nem deve ter dado por nada, disse a velha, a clava tombou sobre a sua cabeça com um golpe único, certeiro, íntegro, directo, o golpe do guerreiro, as velhas acorreram com as cuias a recolher o sangue quente, esfregando as partes dos filhos homens com o sangue do Pedro Ávares, para que ficassem valentes e lhes desse coragem; meteram um pau 🤬 #$%!& do Pedro para que ele, ele isto é, o seu corpo morto, não se borrasse, estragava-lhes o prato, é o que era; iam metendo partes do corpo do Pedro em água quente para lhe escaldarem a pele e esta sair como quem depela um coelho, e iam-no depelando e esquartejando com o machete de duas cabeças que usam para atacar; as mulheres iam moqueando os braços, as coxas, as costelas, o tronco para assar, enquanto as miudezas do bucho e as vísceras eram logo cozidas e comidas pelos homens e pelas crianças; as mulheres coziam e repartiam as vergonhas do Pedro, cortavam-nas às fatias e iam mastigando; aos jovens guerreiros estavam destinados o coração, a língua e a mioleira, todos cozidos também, disse a velha, faziam uma papa com farofa e tragavam a língua e postas da pele do crânio, foi ela, a velha, quem preparou a mioleira; um pé e uma mão eram cozidos para as velhas chuparem os ossos, o outro pé e a outra mão eram fumados para se comer mais tarde, às lascas, com mandioca cozida; a gordura do caldo do Pedro era guardada para moquear futuras iguarias... ◆ Fim ▪ aferrar (agarrar) ▪ Curral d’El-Rei (Curral del-Rei foi um arraial e freguesia situado na comarca do Rio das Velhas, no termo de Sabará, em Minas Gerais, onde, em 1897, foi fundada a cidade de Belo Horizonte, planejada como)
Estatísticas
Avaliações
2.8 / 2- 5 estrelas50%
- 4 estrelas0%
- 3 estrelas0%
- 2 estrelas0%
- 1 estrelas50%
