Desde que me entendo por gente, tenho um amor platônico por zumbis (por mais estranho que possa parecer). Se me perguntassem um desejo estranho que eu gostaria de ver se realizar, seria experienciar uma epidemia zumbínica.
Pois bem, quando vejo algo relacionado à estes mortos-vivos, surge uma imensa curiosidade, e compro. Porém, existe muita coisa ruim no mercado (tanto na literatura quanto nos cinemas), e por isto, sempre passo pela peneira antes de adquirir e ler/ver. Encontrei Apocalipse Z ao acaso, não me recordo nem o site. Bastou ler a sinopse pra eu enlouquecer e comprar. Não me arrependo da compra, pelo contrário, gostei tanto que dei 4 estrelas na resenha. Não dei 5 por ter me deixado com um sentimento insaciável de ler uma continuação (a qual não existe).
Manel Loureiro possui uma escrita peculiar. Cheio de floreios como "Mas que, diabos, está acontecendo?" e "Um acontecimento dantesco", a leitura não se deixa cansar, apesar de em certos momentos a história conter devaneios desnecessários. A narrativa do personagem principal é realística, como os bons e velhos filmes de George A. Romero. Nada de personagens que nunca usaram uma arma já saberem atirar, ou ter acontecido em uma cidade que ninguém nunca ouviu falar ou não existe no mapa. Manel engloba todo o planeta, e descreve os acontecimentos, dia a dia, desde a primeira infecção até a tomada total do nosso mundo pelos zumbis.
Tal narrativa, verossímil e congruente, desperta o interesse. É impossível não pensar na possibilidade de realmente acontecer este ataque no mundo real, o que deixa a leitura ainda mais fascinante. Com alguns fatos desnecessários, outros que nos surpreendem, e claro, um pouco de clichê (que julgo ser necessário, quando bem dosado) Apocalipse Z é indispensável para aqueles que, assim como eu, compartilham de um fascínio pelos mortos errantes. Viva os zumbis!