Já vi por aí muitos livros que falam sobre o que acontece (ou não – dependendo da religião) conosco depois que morremos, e todos eles falam só da parte ‘espiritual’ da coisa. Mas e com o nosso corpo, a casca que deixamos para trás? A maioria das pessoas sabe muito superficialmente sobre a questão da decomposição, por exemplo, o que é um assunto que acho que tá mais pra ‘desagradável’ do que pra 'mórbido'. A parte 'mórbida' mesmo é lembrar da única certeza que temos na vida: que todos nós iremos morrer um dia. Mas calma! Sem deprê. Aqui o assunto é tratado de forma clara, simples e até irônica, deixando tudo mais interessante, curioso, e até mesmo super informativo. Nesse livro a autora Mary Roach teve um trabalhão de pesquisa histórica, científica e de campo, para tratar principalmente sobre ‘as notáveis realizações dos mortos’, que ao doarem (de forma espontânea ou nem tanto) seus corpos (ou partes dele), colaboraram com o desenvolvimento da medicina e da tecnologia, salvando muitas vidas. Religião à parte, antes de ler esse livro é bom ter em mente que vai precisar separar as coisas. O corpo físico é uma coisa e a pessoa, a alma, o espírito (coloque sua definição aqui) é outra. Se você acha que não consegue fazer isso, talvez seja melhor deixar para ler quando amadurecer melhor as ideias. Alguns médicos precisam aprender a lidar com isso logo no começo do curso, para poder sobreviver emocionalmente. Alguns chamam de ‘coisificação’. Pode parecer complicado, mas você consegue comer um hambúrguer sem pensar no coitado do boi? Então, é quase isso. Queria poder contar as coisas que aprendi lendo esse livro, mas em respeito aos que podem não estar ‘preparados’, só digo que é um livro absurdamente interessante, que intercala trechos de momentos chocantes e nojentos, com momentos divertidos e engraçados, e que elucida, principalmente, sobre a importância da doação, seja de sangue, de órgãos ou de corpo todo. Depois de se acostumar com a morbidez do tema, você provavelmente vai conseguir ver tudo isso de forma mais natural, tão natural quanto a vida.. e a morte.
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