Sabendo já ter sido lido por crianças de todas as idades, inclusive aquelas já crescidas, segundo afirma no prólogo, Lewis Carroll desejou, também, ser lido pelos menores de cinco anos – ou, conforme suas palavras, “manuseado, babado (…), beijado por aqueles pequenos iletrados”. Assim, reescreveu sua obra Alice no País das Maravilhas voltada a esse público, contando com as ilustrações originais de John Tenniel. Agora, para comemorar os 150 anos da publicação de Alice No País das Maravilhas, a Galerinha trouxe uma nova edição de A Pequena Alice no País das Maravilhas, traduzida por Marina Colasanti e ilustrada pelo francês Emmanuel Polanco.
Embora possa ser lido rapidamente por um adulto, o livro pode vir a ser um pouco longo tanto para os pequenos desbravadores das primeiras palavras quanto para as crianças as quais dependerão de alguém para a elas contar a história. Ainda assim, se já foi encantador retornar ao País das Maravilhas por meio dessa versão, o maravilhamento deve ser ainda maior entre os menores.
Uma das características que mais me agradou ao ler Alice no País das Maravilhas foi a escrita de Lewis Carroll, tão rica de significados, muitos deles somente percebidos e admirados pelos mais velhos. Aqui, essa característica se faz ausente por uma própria simplificação da narrativa e dos fatos que compõe o enredo: seria impossível atingir o público alvo a quem se destina o livro se assim não o fosse.
Essa simplificação, contudo, não diminui o brilho da obra, apenas a adequa a sua finalidade. Foi bastante divertido observar o quanto o autor interage e brinca com seu leitor, fazendo referências metalinguísticas – como ao explicar alguma definição de um vocabulário usado ou indicar algum detalhe nas ilustrações ao longo das páginas. Mais do que isso, foi ótimo ver preservada a ideia de que o País das Maravilhas tem suas próprias leis, definidas por uma vasta fantasia – o que explica suas “anormalidades”.
Por fim, não são apenas as palavras de Carroll as responsáveis pela magia da obra, mas também o belíssimo trabalho de Emmanuel Polanco, capaz de trazer ilustrações com o potencial de encherem os olhos e fazerem de A pequena Alice no País das Maravilhas ainda mais admirável. Sem dúvida um excelente presente tanto a uma criança, que será agraciada pela oportunidade de fazer uma viagem memorável através das páginas do livro, quanto àquelas crianças já crescidas, como eu, que não resistem a esses belos trabalhos.