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    We - (Timeless Wisdom Collection Book 1076)

    Yevgeny Zamyatin

    Business and Leadership Publishing
    2014
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-10: B00JL05S2U
    4.2
    66 avaliações
    Leram85Lendo16Querem215Relendo0Abandonos5Resenhas3
    Favoritos0Desejados215Avaliaram66

    New version uploaded August 03, 2014; reviewed in depth for typos. Translation improved (but respects the original text). We is a dystopian novel completed in 1921 as a response to the author's personal experiences during the Russian revolution of 1905, the Russian revolution of 1917, and his work as a Marine Engineer in the Tyne shipyards during the First World War (where he saw the collectivization of labour on a large scale). At some point, it was an origin of a controversy between authors George Orwell (Nineteen Eighty Four), and Aldous Huxley (Brave New World). Orwell insinuated Brave New World was partly derived from We, charges that Huxley vehemently denied ( Orwell thought Huxley "was lying"). Kurt Vonnegut said that in writing Player Piano (1952), he "cheerfully ripped off the plot of Brave New World, whose plot had been cheerfully ripped off from Yevgeny Zamyatin's We." We is set in the future. D-503 lives in the One State, an urban nation constructed almost entirely of glass, which allows the secret police/spies to inform on and supervise the public more easily. One thousand years after the One State's conquest of the entire world, the spaceship Integral is being built in order to invade and conquer extraterrestrial planets. Meanwhile, the project's chief engineer, D-503, begins a journal that he intends to be carried upon the completed spaceship.

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    Anica Bitten picture
    Anica Bitten20/07/2011Resenhou um livro
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    We (Yevgeny Zamyatin)

    We, romance do russo Yevgeny Zamyatin tem uma história por trás da história. Os manuscritos mais antigos da obra datam de 1919, mas ela só foi concluída em 1921. Por conta do tema tratado, foi a primeira obra censurada pelo Goskomizdat, na época o novo bureau de censura da União Soviética. A primeira vez que o livro foi publicado foi em inglês, três anos após ter sido terminado. Em russo, só em 1988 ele foi impresso, revelando-se assim um dos casos raros em que a tradução foi publicada muito tempo antes do original. E mesmo com tantas dificuldades para ser publicada, ainda assim We serviu de inspiração para várias das distopias da literatura moderna, incluindo aí a citadíssima obra de George Orwell, 1984. Nesse caso é importante ressaltar a questão que um inspirou outro, porque levando-se em conta que a obra do russo ganhou ares cult no Brasil (não há traduções disponíveis nem no Estante Virtual), o inglês parece mais conhecido e então há uma inversão na distribuição dos méritos: ao ler o romance russo, não esqueçam, foi Orwell que se inspirou, e não o contrário. Porque sim, é bastante complicado deixar de trazer para a leitura de We todas as outras anteriores que usavam a distopia como parte de uma alegoria para o Totalistarismo. Há elementos que se repetem, como por exemplo a presença do Benfeitor (o Grande Irmão?) ou mesmo o controle dos sentimentos e pensamentos das persongens. Mas vale vencer a sensação de já conheço essa história, porque o charme do romance russo é acima de tudo como a história é contada. Narrada como registros diários do protagonista D-503 (as pessoas não possuem mais nomes, apenas uma combinação de letra e números para diferenciá-las), a obra conta com capítulos curtos que aos poucos vão introduzindo o leitor no ambiente estranho em que vive a personagem, um lugar protegido por uma redoma de vidro onde tudo é transparente, a noção de identidade praticamente não existe e a liberdade é vista como um mal. D-503 assume que seu leitor desconhece o funcionamento de sua sociedade, e gradualmente oferece explicações sobre seu modo de vida, explicações que em alguns momentos chocam o leitor moderno, primeiro por conta da atualidade da crítica que se constrói, segundo por desconstruir a noção que temos da sociedade atual, ao descreve-la como uma civilização antiga da qual pouco se sabe, cuja história é reconstruída a partir de quase nada que sobrou após a Guerra dos Duzentos Anos (um exemplo: as crianças leem a tabela de horários de trem, como se essa tabela fosse a literatura infantil da época anterior a narrada). O narrador então conhece uma mulher misteriosa, I-330, por quem se apaixona. A natureza do amor é algo tão desconhecido nessa sociedade (na qual homens e mulheres tem tickets de encontros completamente impessoais) que ele sequer se reconhece apaixonado. Essa união provoca mudanças na personagem, que do lógico matemático passa a uma figura de pensamento caótico, que pensa estar doente por agora ter uma alma. I-330 atrai D-503, apresentando-o para um grupo que é contra o Estado Único, que planeja uma rebelião. Dentro desses acontecimentos, vamos sendo apresentados à ideias do autor, suas críticas não só à Rússia pós-revolução de 1917, mas no final das contas a humanidade em si. Do que nos tornamos quando perdemos a liberdade, e mais do que isso, a vontade de mantê-la. De como o imprevisível nos muda, e pode ser em partes um dos causadores da nossa felicidade. São pensamentos tão geniais que você passa a querer grifar trechos e mais trechos do livro. E para os amantes da ficção cientifícia ainda ficam as n previsões de Zamyatin, passagens que falam de coisas que na época do autor ainda nem existiam, mas que hoje em dia são normais para nós. Essa visão do autor ganha destaque ao longo da narrativa, e ao mesmo tempo que espanta, também conquista. O desfecho é bastante melancólico, a imagem criada é extremamente forte se pensarmos o que I-330 passa a significar para o protagonista. Mas mesmo assim, conclui brilhantemente uma viagem alucinante para um futuro que para nós leitores, já é em partes o presente. Crítico e inteligente, é realmente uma pena que no momento seja tão difícil encontrar traduções no Brasil para esta obra que ainda é tão atual, e tem tanto a dizer.

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