Seleção de crônicas do autor que recebeu a alcunha de anjo pornográfico. Mas por quê tal nome?
Nelson Rodrigues foi um dos maiores dramaturgos brasileiros que igualmente se aventurava pelo jornalismo e pela política - em suas próprias palavras, ele deixou de ser um covarde.
Nessa compilação temos seus textos críticos voltados para tudo que ele julgava relevante. Impedido pelo governo de publicar suas histórias, Nelson avacalha com a Esquerda brasileira das décadas de 60 e 70, chamando a atenção para a irregularidade de seu apoio voltado apenas a partidários e para sua constituição de jovens ricos. Toda e qualquer semelhança com a crítica atual não é mera coincidência.
Outros desafetos, ou nem tanto, são chamados por nome em suas crônicas onde D. Helder é figura constante. Da mesma forma, Caetano, Tom Jobim, Érico Veríssimo e qualquer um cuja conduta indicasse hipocrisia ou canalhice, nomes e fatos são dados.
Quando terminei essa obra fiquei com a impressão que a crítica de fato não sabia o que fazer com ele...
Nelson era um capitalista que escrevia ferozmente contra o socialismo russo-cubano, mas aplaudia o socialismo sueco. Um pequeno burguês que se satisfazia dilacerando e expondo as entranhas da própria classe. Um pernambucano radicado no Rio que passava seus dias criticando os paulistas que eram justamente seu maior público.
Recomendo.