O humor é característica marcante de Carlos castelo. presença diária imperdível com seus textos divertidos na internet, jornais e blogs, ele agora preparou este divertido livro de crônicas. Uma obra para rir com o cérebro, com a boca, com o corpo inteiro. Porque ele sabe ser inteligente, instigador e provocador. Como todo bom texto de humor precisa ser. Boas risadas!
Clássicos de Mim Mesmo - As melhores e mais engraçadas crônicas de Carlos Castelo
Carlos Castelo
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Ver maisA crônica necessária de Carlos Castelo
Às vezes parece uma coisa simples escrever uma crônica. Observar um fato do cotidiano, dizer como se sente em relação a ele, usar um tom leve, uma linguagem acessível, e ainda poder se valer da auto-ironia se o texto não sair como o desejado! Por vezes, escrever uma crônica pode se assemelhar a esparramar o próprio pensamento em um texto. Uma frase puxa a outra e não existe muita preocupação com a forma. Não é todo cronista que enxerga no gênero a possibilidade de fazer uma criação literária. Carlos Castelo está entre os que enxergam e a praticam com avidez. Em seu novo livro, “Clássicos de Mim Mesmo” (Matrix, 2015), Castelo reúne aquelas que foram consideradas suas melhores e mais engraçadas crônicas. E se, de fato, são tão engraçadas assim, é porque o cronista não se limita a descrever realidades. A partir de uma observação bem apurada do que acontece no mundo, Castelo resolve brincar com as nossas tendências e imaginar até que ponto elas podem nos levar. Seus textos nos levam a uma análise bem-humorada de nós mesmos, de nossas contradições e exageros. São exercícios de imaginação que dizem muito sobre nós. Como seria, por exemplo, se 95% das pessoas morressem em consequência do efeito estufa? E se Deus fosse convocado a depor em uma CPI? O que diria a bula de um remédio para combater a corrupção? E se no futuro exigissem que os pedreiros fossem trilíngues? Como seria um país feito apenas de funcionários públicos? E se um homem fosse metamorfoseado em uma etiqueta? O que esperar de um encontro de angustiados, deprimidos, desanimados e niilistas? Questões absurdas, que levam ao riso, e muito bem sacadas – ou “bem boladas”, como disse o Verissimo. Verissimo, aliás, além de ter feito o prefácio do livro, é influência certa no estilo de Castelo. Assim é que muitas das suas crônicas são feitas de personagens inusitados, de situações embaraçosas, de diálogos imprevisíveis. Por vezes a sua crônica não é um texto com começo, meio e fim, mas o programa de uma confraternização escolar, a paródia de uma letra de música, uma lista de coisas para se fazer na fila do banco, testemunhais de sites de relacionamento, sugestões para facilitar Machado de Assis – tudo molecagem da grossa para fazer a gente pensar e dar risada. Também são divertidos os momentos de metalinguagem, como a conversa que Castelo mantém com o seu próprio cérebro a respeito do texto que deseja escrever, ou quando é o próprio texto que toma as rédeas da narração para falar mal do seu autor. Há crônicas significativas sobre a complicada relação entre artista e mercado (ou é um jovem cineasta cujo roteiro é absurdamente descaracterizado ou é um escritor que recebe inusitadas sugestões do seu editor). Em “A poesia é necessária”, Castelo se propõe a imaginar como seria se editores das maiores companhias do Brasil corressem atrás de um escritor desconhecido para editar o seu livro de poesias. “Começaram mandando e-mails, depois ligavam e, quando viram que eu não ia topar, pegaram pesado: deram dinheiro a colegas da faculdade pra me convencerem a ceder os originais para edição”. Através do seu contrário, a situação revela as dificuldades para publicação no país. O próprio Castelo constatou, há algum tempo, a dificuldade para se publicar um livro de crônicas. Mas hoje temos, enfim, o “Clássicos de mim mesmo”, e através dele podemos constatar que a crônica também é necessária – e, inclusive, a crônica de Carlos Castelo. Aproveitemos.
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