Japanese has a term that covers both green and blue. Russian has separate terms for dark and light blue. Does this mean that Russians perceive these colors differently from Japanese people? Does language control and limit the way we think? This short, opinionated book addresses the Sapir-Whorf hypothesis, which argues that the language we speak shapes the way we perceive the world. Linguist John McWhorter argues that while this idea is mesmerizing, it is plainly wrong. It is language that reflects culture and worldview, not the other way around. The fact that a language has only one word for eat, drink, and smoke doesn't mean its speakers don't process the difference between food and beverage, and those who use the same word for blue and green perceive those two colors just as vividly as others do. McWhorter shows not only how the idea of language as a lens fails but also why we want so badly to believe it: we're eager to celebrate diversity by acknowledging the intelligence of peoples who may not think like we do. Though well-intentioned, our belief in this idea poses an obstacle to a better understanding of human nature and even trivializes the people we seek to celebrate. The reality -- that all humans think alike -- provides another, better way for us to acknowledge the intelligence of all peoples.
The Language Hoax - Why the World Looks the Same in Any Language
John McWhorter
Certamente a maioria das pessoas que foi estudar um segundo idioma em algum momento ouviu que aprender outro idioma modifica como o falante pensa, que esse aprendizado permite que o estudante de outro idioma tenha acesso a toda uma nova visão de mundo característica dos falantes do idioma que está aprendendo. É exatamente essa crença que John McWhorter rechaça em The Language Hoax: Why the World Looks the Same in Any Language. De tempos em tempos essa ideia aparece na mídia e agora também em conteúdos de redes sociais, geralmente em um tom sensacionalista. Recentemente por exemplo, tivemos o vídeo de um conhecido criador de conteúdo que sinceramente me deu ânsias, tal a condescendência e melodrama usados para descrever uma tribo amazônica, tribo essa que como McWhorter nos informa é já um clássico na divulgação dessa hipótese, mesmo ela tendo sido certa medida refutada. Sendo um livro destinado ao leigo, McWhorter apesar de não abrir mão do rigor científico é bastante didático em sua abordagem do porquê como diz o próprio título todos nós pensamos da mesma forma, independente da língua que falamos. Certo que ideia existe uma confusão conceitual entre Língua, Linguagem e Discurso, para a qual eu sugiro o vídeo do André (https://youtu.be/M7-YmWxgHTA?si=ZBcxrLhKzFr6nQ-W). McWhorter aqui se refere a capacidade intelectiva, ao processo de pensamento. Primeiramente, McWhorter esclarece ao leitor a origem dessa noção isto é o que vem a ser a hipótese Sapir-Whorf. O autor é bastante didático, oferecendo ao leitor os pontos principais para entender a hipótese, sua origem e desenvolvimento. Feita essa contextualização o autor nos apresenta diversos estudos e o que eles tem demonstrado. McWhorter também faz uma distinção entre o que ele chamará de Whorfianism e Neo-Worfianism. Encaminhando-se para o fim da obra o autor ainda fará uma distinção entre o que pensam pesquisadores ainda partidários de Sapir-Whorf e a distorção da hipótese que aparece na mídia e é veiculada aos leigos. McWhorter é bastante habilidoso em demonstrar como uma ideia, que numa camada superficial parece fofinha e um reconhecimento à grandeza da diversidade humana na verdade é uma forma de espetacularização e exotização do outro, uma maneira de demarcar o outro como diferente, alienígena e por menos que possa parecer, inferior. O autor é particularmente sagaz ao usar como exemplos o Chinês e o Inglês Afro-americano para demonstrar como o “Whorfianismo” radical é na melhor das hipóteses ingênuo e na pior racista e supremacista. O fato de aparentemente muitos progressistas terem carinho pela hipótese é no mínimo irônico ou talvez não, se considerarmos como a esquerda tem uma tendência paternalista para com aqueles que pretende defender. Por fim o autor propõe-se a aplicar as ideias do “Whorfianismo” no próprio idioma Inglês, que “quem poderia imaginar?” está muito longe de ser a norma para a estrutura das línguas ao redor do mundo. Talvez a única “falha” na obra, não exatamente uma falha, mas algo que o autor não aborda mas poderia talvez ampliar a discussão é o fato do autor não ter comentado sobre as línguas de sinais. Se as pessoas tem ideias estranhas em relação a línguas faladas tidas como exóticas quando se trata de línguas de sinais isso se intensifica. Se para línguas faladas as pessoas se contém em não afirmar a ausência de pensamento ou de um pensamento limitado quando se trata de línguas de sinais não costumam ser tão gentis. A despeito de ser uma leitura mais técnica esse livro é relativamente tranquilo de ler no original, e infelizmente a única forma de fazê-lo até o momento. A escrita de McWhorter é agradável e o seu senso de humor e leve sarcasmo ajudam tanto na compreensão do tema como o texto não se tornar maçante. The Language Hoax: Why the World Looks the Same in Any Language de John McWhorter, portanto, é uma leitura extremamente interessante, divertida e uma ardente defesa da diversidade humana. McWhorter nos leva a um passeio pela diversidade linguística e nos convida a tal como alguém que ouve uma peça musical apreciar a obra por si e não tentar descobrir indícios sobre a personalidade do compositor pela mera leitura da partitura.
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